Se perguntarmos a quem esteja minimamente atento à realidade, saberá rapidamente responder à pergunta: “Qual é a galinha dos ovos de ouro de Portugal?”. A resposta é fácil e rápida.

O turismo é, desde há uns anos para cá, a maior fonte de riqueza do nosso país. Basta ver o aumento vertiginoso que seu deu em número de alojamentos locais, hotéis e a procura crescente de turistas que antes simplesmente nem sabiam que Portugal existia, muito menos que este era um paraíso à beira mar plantado.
Foram feitos investimentos importantes, foram criados milhares de postos de trabalho e a promoção passou a ser de um Portugal para ricos, com uma gastronomia de excelência, praias sem fim à vista e segurança garantida! Até aqui tudo bem, com mais ou menos orientação e coerência a promoção foi sendo bem feita e os resultados saltaram à vista. Até a Madonna veio viver para Portugal… Pena que por pouco tempo! No entanto, até o famoso criador dos sapatos de sola vermelha (Louboutin) abriu um hotel em Melides, por isso a fama de Portugal é reconhecida até pelo mundo da moda!
Olhando para o distrito de Viana do Castelo vemos de tudo, e esse é o grande problema… Mas, vamos lá explicar isto. Termos variedade de oferta é das melhores coisas que podíamos ter até porque viajar entre Viana do Castelo e Monção, por exemplo, pode proporcionar uma experiência incrível para quem souber qual a melhor opção de caminho a percorrer e no espaço de uma hora tem à disposição dois concelhos diferentes, com ofertas variadas. Tudo perfeito até aqui! O problema é que o Alto Minho como um todo está desagregado, ou seja, não há um trabalho de equipa entre os municípios que deveriam ser os primeiros a dar o exemplo e a preocuparem-se com esta temática.
Para quem trabalha neste setor sabe perfeitamente que um turista estrangeiro que venha passar duas semanas a Portugal e que fique hospedado em Viana do Castelo vai ter necessidade de percorrer outros locais, outras localidades, ver outras coisas, porque Viana é demasiado pequena para duas semanas de férias. Salvo raras exceções de turistas que apenas querem fazer desportos náuticos e praia e prefiram a tranquilidade do mar para relaxar completamente sem fazerem viagens, haverá aqueles que vão preferir percorrer o território e conhecer o distrito. Ora, o Alto Minho tem vindo a trabalhar de forma muito descoordenada nesta temática. Felizmente nem todos os concelhos são iguais e nem todos têm a mesma oferta, mas têm uma coisa em comum: a proximidade entre concelhos. Não tirar partido disso é um erro! Não haver uma agenda de iniciativas mais coordenada, é um erro. Não se promoverem onde estão os turistas que realmente interessam, é um erro. Não promoverem o Alto Minho como um todo, é um erro!
Vou deixar uma pergunta muito clara para alguns concelhos do distrito de Viana do Castelo… O que é que vos interessa: o número de visitantes ou a qualidade dos visitantes? Interessa que venha uma excursão que apenas vem ver as vistas ou interessa um público que vem de férias, fica hospedado no território, vai aos restaurantes, consome e desfruta levando consigo de volta ao país de origem ou à localidade de onde veio, uma experiência tão gratificante que vai desejar voltar e trazer outros familiares ou amigos?
Com isto não digo que não seja totalmente desinteressante que venham pessoas de vários sítios em excursões conhecer o que temos de melhor, mas sejamos práticos, atualmente não é esse tipo de turismo que ajuda a nossa economia, que ajuda as empresas que se instalaram no território e que dão emprego a centenas de pessoas de forma direta e indireta.
A promoção externa do nosso Alto Minho deve ser feita com uma capacidade de visão mais abrangente, nos países do norte da Europa, no Brasil, nos Estados Unidos da América, no Canadá, no Japão. Em países onde o poder de compra é superior, onde as pessoas procuram férias de sonho, com tranquilidade e segurança. Marcar presença na BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa) acho bem que o façam mas mais do que isso é promover o nosso território em feiras internacionais criando sinergias com agências de turismo que tragam para cá os turistas. Que sugiram aos seus clientes Portugal como um destino de sonho. E sabem quem é que habitualmente faz esse trabalho de dentro para fora? As empresas de animação turística e a hotelaria são os primeiros a perceber que efetivamente precisam de captar um público mais atrativo por isso preparam campanhas de comunicação cativantes, vão aos sítios certos, apresentem os seus serviços com uma qualidade distintiva e mais, são eles que promovem o território como um todo!
No Alto Minho temos a sorte de ter mar e serra, de ter o Parque Nacional em três concelhos, de ter várias áreas protegidas, de ter uma gastronomia incrível, vinhos de elevada qualidade tão apreciados no estrangeiro. Não temos trânsito, nem caos! Temos pessoas amáveis e simpáticas que sabem receber. Temos museus, tradição, história e cultura! Temos arte e diversidade cultural que merece ser promovida e respeitada! Agora digam-me, o que é que nos falta mesmo para sermos um destino de eleição? Um trabalho de equipa! Se agora já colhemos frutos, imaginem se houvesse um trabalho de equipa entre dez concelhos, uma Comunidade Intermunicipal, empresas deste setor (hotelariaa, animação turística, restauração, etc), Entidade de Turismo do Porto e Norte, realmente em sintonia, os resultados que poderíamos alcançar!
Podemos ter mais e ser melhores e não perdemos nada se trabalharmos com os vizinhos do lado em equipa! O Alto Minho é só um território e precisa que isso esteja impresso no ADN de quem cá vive, trabalha e decide o futuro do distrito!
Por Duarte Martins
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