Nas últimas décadas da Democracia portuguesa, entre as grandes vitórias do Estado Social e os vários erros estratégicos de governação, promovidos pela “caça ao voto” e pelo jogo de interesses partidários, tornou-se cada vez mais difícil compreender o que é essa coisa de Estado. Para além disso, tornou-se também cada vez mais impercetível qual o seu papel na vida de cada pessoa, de cada coletividade e, sobretudo, qual o seu papel na vida da sociedade portuguesa em geral. Posto isto, o presente artigo consiste numa reflexão sobre o que é o Estado, contrastando aquele que deveria ser o seu papel, face àquela que tem sido a sua atuação nos últimos anos.
Tradicionalmente, o conceito de Estado deriva da presença de três elementos conjugados: o território, a população e o aparelho de poder. Muitas vezes, o conceito é confundido com o termo Nação, mas a ideia de Nação é algo mais afetivo, um sentimento de identidade, de pertença. Assim, o Estado pode ser visto como o conjunto de instituições públicas que rege o território onde habita uma determinada população. Porém, a questão que se levanta é: Para que serve isto?
É muito simples, se o Estado regula um território e a população que lá reside, cobrando impostos para isso, a sua existência justifica-se através da promoção do bem-estar geral dessa mesma população, ou seja, aquilo que designamos por Interesse Público. Contudo, apesar de muito evocado, este conceito é muitas vezes utilizado em jogos de retórica devido à sua subjetividade. Então o que deve, ou não, o Estado fazer para promover o Interesse Público?
Na sua dimensão externa, com algumas nuances, há um consenso alargado que o papel do Estado é garantir a existência de um corpo diplomático, para promover boas relações políticas e comerciais com outros Estados, e garantir a existência de um exército para salvaguardar a segurança da população e a soberania do aparelho de poder.
Todavia, é sobre a dimensão interna que há uma maior contestação sobre qual o papel do Estado na vida das pessoas, dando origem àquilo que conhecemos como “Ideologias Políticas”. Neste ponto, uma maior intervenção do Estado na vida privada é comummente associada a ideologias de esquerda, e uma menor intervenção mais associada a ideologias de direita. No entanto, como este espectro político tornou-se limitado para traduzir a crescente complexidade e heterogeneidade social, adotou-se um referencial cartesiano para espelhar o posicionamento ideológico. No eixo das abcissas (x), lemos o posicionamento económico, entre a esquerda e a direita, e no eixo das ordenadas (y), lemos o posicionamento social, entre o conservadorismo e o liberalismo.
Entre aqueles que acreditam que o Estado deve deter e fazer tudo, e aqueles que acreditam que o Estado deve ser muito reduzido e limitado, eu, pessoalmente, penso que no meio está a virtude. Acredito que o Estado é fundamental, mas deve ser visto como um mal necessário. Isto, porque as pessoas que controlam o Estado – os governantes – são pessoas ditas “racionais” que têm interesses próprios e, portanto, tendencialmente vão corromper-se. Consequentemente, defendo que o Estado deve ser forte, tanto no campo económico, como no campo social, mas com uma atuação transparente e equilibrada em termos de custo-benefício para a população.
Contrariamente, em Portugal, entre várias décadas de erros e remendos, o Estado tornou-se uma máquina gigante de acomodação de interesses das elites políticas e económicas. Os governos têm instrumentalizado o Interesse Público para favorecer os seus círculos, através da criação dos famosos “tachos e tachinhos”, investindo o dinheiro dos contribuintes em negócios ruinosos. Por outras palavras, neste momento, o Estado português é uma espécie de canalização de grande envergadura, onde as diversas tubagens estão desconexas uma das outras e a verter água por todo lado. Há dinheiro para resgates à banca, há dinheiro para derreter em negócios como a TAP e a EFACEC, e há dinheiro para alimentar muitas outras entidades do setor empresarial do Estado que a maioria da população desconhece e cujas remunerações são um verdadeiro insulto para os contribuintes.
Em contrapartida, os Serviços Públicos essenciais estão o caos. As Forças de Segurança continuamente em protestos, devido às desigualdades, às remunerações miseráveis, à falta de atratividade das carreiras e à falta de condições de trabalho. A Justiça continua absurdamente lenta, levando à relutância das empresas portuguesas e estrangeiras em investir no nosso país. Na Educação não há professores e instalou-se uma cultura de facilitismo. Na Saúde, por sua vez, vemos as Urgências encerradas por falta de médicos, listas de espera infindáveis e jornadas de trabalho ilegais. Em suma, aquilo que é essencial para que as pessoas possam construir o seu projeto de vida, não funciona.
Não é necessário referir quem tem suportado esta distopia. O facto de termos a maior carga fiscal de sempre e um dos maiores esforços fiscais da Europa, espelha bem essa realidade. Um país pouco atrativo para as pessoas e para as empresas, e que deixa fugir quem mais cria e quem mais quer criar valor no nosso país.
Posto isto, questiono-me:
Deveria o Estado brincar aos empresários com o dinheiro dos contribuintes?
Qual o retorno destes negócios “estratégicos” para as pessoas?
Dada a nossa realidade, penso que o Estado português deve focar-se nas suas funções reguladora e fiscalizadora, na prestação de Serviços Públicos essenciais de qualidade, e apenas intervir na Economia quando não existe um mercado de concorrência funcional, como por exemplo, o mercado da Habitação. Deste modo, a atuação do Estado seria mais transparente, as carreiras públicas mais atrativas e prestigiantes, e o esforço fiscal das famílias mais baixo.
Concluindo, se o futuro Governo optar por uma atuação mais focalizada, e aproveitar os enormes envelopes financeiros da União Europeia para avançar com obras públicas estratégicas que promovam a coesão territorial, ainda é possível voltarmos a ser um país atrativo, em especial, para os jovens.
Por: Miguel Sá
Consultor Empresarial
Presidente da JSD de Viana do Castelo
A Juventude Viana iniciou da melhor forma a segunda volta do Campeonato Nacional da 2.ª Divisão de Hóquei em Patins, ao vencer de forma expressiva (1-6) o Oquei de Barcelos B, em jogo disputado ao final da tarde deste sábado, em Barcelos.
A Casa do Conhecimento de Ponte da Barca recebeu uma sessão sobre “Turismo e Inovação”, reunindo presencialmente e online especialistas, empresários e interessados no futuro dos territórios turísticos de baixa densidade.
O deputado à Assembleia da República e vereador da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Eduardo Teixeira, vai presidir à reunião da Comissão da Energia, do Ambiente e da Água da Assembleia Parlamentar da União para o Mediterrâneo (AP-UpM), marcada para 26 de janeiro, às 10h00, na Assembleia Legislativa Regional da Madeira.
O atleta do Olímpico Vianense, Usumane Djumo começou 2026 em grande no Campeonato Absoluto do Norte de Portugal de Pista Coberta, realizado no Forum Braga. Usumane estabeleceu um novo Recorde Nacional da Guiné-Bissau nos 60 metros barreiras, com 8,10 segundos, igualando também o recorde regional que já lhe pertencia.
Valença consolida-se como destino gastronómico de inverno com a iniciativa “Lampreia do Rio Minho – Um Prato de Excelência”, que decorre até 15 de abril, aos fins de semana, em 16 restaurantes do concelho.
Depois da expressiva vitória por 0-6 frente ao Núcleo do SCP de Pombal, a contar para a Taça de Portugal, o Santa Luzia FC regressa este domingo, às 15h00, à Liga Feminina Placard, para disputar a 14.ª jornada.
A realização da 27.ª Meia Maratona Manuela Machado – Viana Fica no Coração, marcada para domingo, 25 de janeiro, vai implicar alterações significativas na circulação rodoviária e nos transportes públicos urbanos em Viana do Castelo ao longo do fim de semana.