A greve geral de jornalistas silenciou mais de quatro dezenas de órgãos de comunicação social, em Portugal, esta quinta-feira, 14 de março. A Viana TV juntou-se à causa. Entre as exigências da greve estavam o fim da precariedade generalizada e a intervenção do Estado na garantia da sustentabilidade financeira do jornalismo.

Além da Viana TV, segundo uma nota do Sindicato dos Jornalistas, à meia-noite desta quinta feira, não houve noticiários na Antena 1 nem na TSF. “É meia-noite no continente e na Madeira, menos uma hora nos Açores. Na Antena 1, jornalistas estão em greve geral”, lê-se.
Entre outros exemplos, também a direção de informação da Agência Lusa decidiu fechar o serviço aos clientes e a revista visão e a edição online do jornal Público estiveram em silêncio.
“A produção informativa sofre fortes constrangimentos nas principais redacções. O Jogo será publicado em versão reduzida amanhã, com menos oito páginas. No Jornal de Notícias a adesão supera os 95%, e no Diário de Notícias está próxima dos 100%, estando em risco a edição em papel de amanhã”, continua.
“No Público, em Lisboa e no Porto, a esmagadora maioria da redação está em protesto, com a edição em papel a ser preparada por redatores principais e elementos com cargos de chefia. Também na Rádio Renascença se regista adesão à greve. No Observador metade dos profissionais estão em greve. No Dinheiro Vivo, a adesão foi total”, refere a nota.
O Sindicato dos Jornalistas denunciou ainda “o caso de jornalistas em situação de precariedade que gostariam de ter feito greve, mas que não a fizeram, receando represálias”. “Os turnos, nos órgãos de comunicação social de maior dimensão, estão a ser assegurados, sobretudo, por jornalistas que tiveram receio de aderir à greve geral”, explicou.
Além do silenciamento dos órgãos de comunicação também centenas de jornalistas saíram hoje às ruas, nomeadamente, no Porto, em Lisboa, em Coimbra e em Ponta Delgada.
A greve geral foi aprovada, por unanimidade, no 5º Congresso dos Jornalistas que decorreu, em janeiro, no Cinema São Jorge, em Lisboa, contando com a participação de cerca de 800 congressistas. Segundo Pedro Coelho, presidente do Congresso dos Jornalistas, “a última greve geral de jornalistas foi em 1982”.
O caderno reivindicativo da greve geral de jornalistas pode ser consultado aqui.

Fotografia: Miguel Almeida
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