O historiador Rodrigo Vaz vai lançar, este domingo, um livro sobre o mosteiro beneditino em São Romão de Neiva, Viana do Castelo, cuja fundação remonta ao século XI, para salvaguardar a história do monumento, a ameaçar a ruína.

“O mosteiro, infelizmente, encontra-se em avançado de degradação e mais dia, menos dia, se nada for feito, vamos acabar por perder o mosteiro. O objetivo foi catalogar tudo o que temos e tentar compilar neste livro para que um dia mais tarde não tenhamos perdido tudo”, afirmou o historiador Rodrigo Vaz.
Classificado como imóvel de interesse público pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) desde 1980, o mosteiro, com cerca de 1.190 metros quadrados (m2) de área coberta, mais de 40% dos quais em ruína, e cerca de 6.000 m2 de terreno, tem vestígios históricos que atiram a sua origem para 1087, antes da fundação de Portugal, mas encontra-se “em avançado estado de degradação”, ao lado da igreja e do cemitério de São Romão do Neiva.
Em 1916/1917, o mosteiro foi comprado por Manuel Gomes da Costa Castanho. Castanho emigrou “pobre” de Vila Nova de Anha e regressou “rico” do Brasil. Comprou, “em leilão, por 33 contos [cerca de 165 euros]”, uma verdadeira fortuna na altura, o ‘pack’ completo que incluía o mosteiro, a igreja, hoje administrada pela diocese de Viana do Castelo, e o cemitério, entretanto entregue à Junta de Freguesia de São Romão do Neiva, na margem esquerda do rio Lima. Atualmente, vivem no mosteiro dois dos 12 herdeiros de Manuel Gomes da Costa Castanho.
Contactado pela agência Lusa, a propósito do lançamento da obra “Um mosteiro em terras de Neiva”, encomendado em 2021 pela Câmara de Viana do Castelo, o historiador, natural de Viana do Castelo, defendeu que o mosteiro devia ser classificado como Monumento Nacional, por “ao longo da sua história ter recebido visitas de importantes personalidades da história portuguesa”.
“D. Afonso Henriques deu-lhe doações (…) O filho de D. Afonso Henriques, D. Sancho I dá-lhe doações. O Frei Bartolomeu dos Mártires esteve neste mosteiro e reformulou-o. Frei Jerónimo Baía, poeta barroco, morreu no mosteiro e, possivelmente, está sepultado no mosteiro. É um mosteiro tão pequenino, comparado com o de Tibães [Braga], a casa mãe dos beneditinos em Portugal, mas que teve uma importância fulcral no desenvolvimento da história local que muita gente não tem essa noção”, especificou.
Nos três anos de recolha de informação, no arquivo distrital de Braga, Rodrigo Vaz percebeu que “a degradação acompanha toda a história do mosteiro”, mas o que mais gostou de encontrar foram algumas curiosidades. Por exemplo, a documentação que refere que os monges apenas comiam peixe, proveniente da freguesia vizinha de Castelo de Neiva, terra de pescadores.
Uma outra curiosidade que adora contar é que, no século XVI, entre 1564/65, o mosteiro foi visitado foi um frade espanhol que encontrou “os frades a viverem com os seus filhos e amantes”. “Vai expulsar os frades todos, vai reformular a ordem, mandar cercar o mosteiro e pôr frades novos”, contou.
O historiador defende que “todo o complexo monástico deve ser salvo” da ruína e alvo de investigação arqueológica face à “riqueza da história que encerra”.
“Esperemos que no século XXI alguém o faça. Em 1960/1961 a abóbada da igreja caiu. Se tivesse acontecido durante a missa metade da população de São Romão do Neiva tinha falecido”, disse.
Rodrigo Vaz defende que, após a recuperação, deve ser pensado um projeto “grande” para o imóvel, colocando-o ao serviço da população do concelho. Apontou como exemplos a criação de uma incubadora de empresas, face à proximidade da zona industrial de Neiva, um polo do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) ou um albergue para os peregrinos de Santiago de Compostela, na Galiza.
Foi concluída a empreitada de melhoria da iluminação do campo de jogos e da pista de atletismo e de proteção contra descargas atmosféricas do Estádio Municipal Manuela Machado, em Viana do Castelo. A intervenção representou um investimento municipal de 164.700 euros.
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Viana do Castelo acolhe, até ao próximo domingo, 18 de outubro, a Exposição Filatélica Nacional, que reúne expositores portugueses e coleções de valor histórico, documental e cultural.
A exposição «Viana à Mesa: 1920–1970», promovida pela Ephemera, está patente até 31 de outubro nos antigos Paços do Concelho, em Viana do Castelo. A mostra propõe uma viagem por cinquenta anos de hábitos alimentares, práticas culinárias e formas de convívio.
O Trilho Caminho dos Mortos, em Merufe, recebe este domingo, 18 de outubro, uma caminhada de cerca de 13 quilómetros, integrada no projeto «Descobrir Monção a Caminhar 2026». A iniciativa tem um custo de três euros por participante, com a receita a reverter a favor da Associação Mão de Mimos.
O VII Torneio Zé Natário – Cidade de Viana do Castelo, em hóquei em patins, começa hoje, no Pavilhão José Natário, com a participação da Juventude Viana, FC Porto, UD Oliveirense e AA Espinho. A competição prolonga-se até amanhã e integra as comemorações dos 50 anos do clube vianense.
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