Logo
Regional

Livro guarda história de mosteiro de Viana do Castelo em risco de ruína

27 Janeiro, 2024 | 13:55
Partilhar
Pedro Sérgio Xavier
3 min. leitura

O historiador Rodrigo Vaz vai lançar, este domingo, um livro sobre o mosteiro beneditino em São Romão de Neiva, Viana do Castelo, cuja fundação remonta ao século XI, para salvaguardar a história do monumento, a ameaçar a ruína.

“O mosteiro, infelizmente, encontra-se em avançado de degradação e mais dia, menos dia, se nada for feito, vamos acabar por perder o mosteiro. O objetivo foi catalogar tudo o que temos e tentar compilar neste livro para que um dia mais tarde não tenhamos perdido tudo”, afirmou o historiador Rodrigo Vaz.

Classificado como imóvel de interesse público pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) desde 1980, o mosteiro, com cerca de 1.190 metros quadrados (m2) de área coberta, mais de 40% dos quais em ruína, e cerca de 6.000 m2 de terreno, tem vestígios históricos que atiram a sua origem para 1087, antes da fundação de Portugal, mas encontra-se “em avançado estado de degradação”, ao lado da igreja e do cemitério de São Romão do Neiva.

Em 1916/1917, o mosteiro foi comprado por Manuel Gomes da Costa Castanho. Castanho emigrou “pobre” de Vila Nova de Anha e regressou “rico” do Brasil. Comprou, “em leilão, por 33 contos [cerca de 165 euros]”, uma verdadeira fortuna na altura, o ‘pack’ completo que incluía o mosteiro, a igreja, hoje administrada pela diocese de Viana do Castelo, e o cemitério, entretanto entregue à Junta de Freguesia de São Romão do Neiva, na margem esquerda do rio Lima. Atualmente, vivem no mosteiro dois dos 12 herdeiros de Manuel Gomes da Costa Castanho.

Contactado pela agência Lusa, a propósito do lançamento da obra “Um mosteiro em terras de Neiva”, encomendado em 2021 pela Câmara de Viana do Castelo, o historiador, natural de Viana do Castelo, defendeu que o mosteiro devia ser classificado como Monumento Nacional, por “ao longo da sua história ter recebido visitas de importantes personalidades da história portuguesa”.

“D. Afonso Henriques deu-lhe doações (…) O filho de D. Afonso Henriques, D. Sancho I dá-lhe doações. O Frei Bartolomeu dos Mártires esteve neste mosteiro e reformulou-o. Frei Jerónimo Baía, poeta barroco, morreu no mosteiro e, possivelmente, está sepultado no mosteiro. É um mosteiro tão pequenino, comparado com o de Tibães [Braga], a casa mãe dos beneditinos em Portugal, mas que teve uma importância fulcral no desenvolvimento da história local que muita gente não tem essa noção”, especificou.

Nos três anos de recolha de informação, no arquivo distrital de Braga, Rodrigo Vaz percebeu que “a degradação acompanha toda a história do mosteiro”, mas o que mais gostou de encontrar foram algumas curiosidades. Por exemplo, a documentação que refere que os monges apenas comiam peixe, proveniente da freguesia vizinha de Castelo de Neiva, terra de pescadores.

Uma outra curiosidade que adora contar é que, no século XVI, entre 1564/65, o mosteiro foi visitado foi um frade espanhol que encontrou “os frades a viverem com os seus filhos e amantes”. “Vai expulsar os frades todos, vai reformular a ordem, mandar cercar o mosteiro e pôr frades novos”, contou.

O historiador defende que “todo o complexo monástico deve ser salvo” da ruína e alvo de investigação arqueológica face à “riqueza da história que encerra”.

“Esperemos que no século XXI alguém o faça. Em 1960/1961 a abóbada da igreja caiu. Se tivesse acontecido durante a missa metade da população de São Romão do Neiva tinha falecido”, disse.

Rodrigo Vaz defende que, após a recuperação, deve ser pensado um projeto “grande” para o imóvel, colocando-o ao serviço da população do concelho. Apontou como exemplos a criação de uma incubadora de empresas, face à proximidade da zona industrial de Neiva, um polo do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) ou um albergue para os peregrinos de Santiago de Compostela, na Galiza.

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Regional 26 Agosto, 2026

Caminha: Falta de verbas e de mordomos deixa Festas das Solhas em risco

As tradicionais Festas das Solhas, em Lanhelas, no concelho de Caminha, não deverão realizar-se este ano devido à falta de verbas, de meios logísticos e de mordomos para assegurar a organização.

Regional 26 Agosto, 2026

“Livros em Viagem” desperta histórias e memórias entre idosos de Monção

O projeto “Livros em Viagem – Entre Histórias e Memórias” está a proporcionar momentos de leitura, convívio e partilha à população sénior do Centro Paroquial e Social Padre Agostinho Caldas Afonso, no concelho de Monção.

Nacional 26 Agosto, 2026

Festival Vodafone Paredes de Coura reforçou ligação ao território

O Vodafone Paredes de Coura reforçou, na edição deste ano, a ligação ao território e à comunidade local, dando maior protagonismo às freguesias, ao património e à identidade cultural do concelho.

Regional 26 Agosto, 2026

Vila Nova de Cerveira conclui gestão de combustível em 58 hectares

A Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira concluiu uma intervenção de gestão de combustível ao longo da rede viária secundária do concelho, abrangendo cerca de 58 hectares nas áreas de maior sensibilidade florestal.

Internacional 26 Agosto, 2026

Serenata da Romaria d’Agonia realiza-se este sábado em Viana do Castelo

A Serenata da Romaria de Nossa Senhora d’Agonia vai realizar-se no próximo sábado, 29 de agosto, confirmou à Viana TV fonte da VianaFestas.

Regional 26 Agosto, 2026

Loja da Fábrica da Louça Regional de Viana abre portas este fim de semana

A Loja da Fábrica da Louça Regional de Viana, situada na freguesia da Meadela, vai estar aberta ao público nos dias 29 e 30 de agosto.

Regional 26 Agosto, 2026

Vindimas chegam mais cedo a Monção e Melgaço com experiências para visitantes

As vindimas começaram este ano mais cedo do que nunca na sub-região de Monção e Melgaço. A colheita arrancou na segunda semana de agosto, naquele que é considerado o início mais precoce de que há memória no território, levando a Rota do Alvarinho a promover seis experiências ligadas ao vinho, à gastronomia, ao desporto e às tradições locais.