A Liga dos Amigos do Hospital de Viana do Castelo (LAHVC) reivindicou hoje a instalação do serviço de radioterapia naquela unidade, para acabar com “as frequentes e dolorosas deslocações dos doentes a Braga ou ao Porto”.
Em comunicado enviado à agência Lusa, o presidente da Assembleia-Geral da LAHVC, Defensor Moura, referiu existirem “queixas dos doentes e dos familiares” sobre o “sofrimento” a que são sujeitos os doentes oncológicos com as “frequentes” deslocações a Braga ou ao Porto para receberem as sessões de radioterapia.
Segundo Defensor Moura, os dados que recolheu junto do hospital de Braga indicam que “o distrito de Viana do Castelo tem, anualmente, cerca de 400 novos doentes oncológicos, que precisam, em média, de 25 sessões de radioterapia por ano”.
“São 10 mil sessões por ano. São 20 mil tormentosas viagens a que são obrigados os nossos doentes com cancro. É altura de dizer [que] basta de sofrimento. A instalação da radioterapia no hospital de Viana do Castelo é uma necessidade premente”, observou o médico aposentado, de 77 anos.
Defensor Moura adiantou que “o rácio atual para instalação de equipamentos de radioterapia é de seis máquinas por milhão de habitantes”, sendo que os 250 mil habitantes que a ULSAM serve, dos distritos de Viana do Castelo e Braga, “requerem dois”.
A Lusa contactou o presidente da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), Franklim Ramos, que disse desconhecer “o teor do comunicado da LAHVC” e adiantou que “os doentes do distrito de Viana do Castelo que necessitam de radioterapia são referenciados para Braga ou para o Porto”.
“Não tenho conhecimento, da parte dos doentes, de queixas relativamente à prestação de cuidados quer no Porto, quer em Braga. Para me pronunciar sobre a necessidade de criação de radioterapia em Viana do Castelo teria de ter elementos suficientes, que, por sinal, já solicitei sobre o número de doentes do Alto Minho que efetuam tratamentos quer no Porto, quer em Braga para uma avaliação posterior”, declarou.
Na nota enviada à Lusa, o presidente da Assembleia-Geral da LAHVC adiantou que “há anos” que questiona “sobre a possibilidade de haver radioterapia em Viana do Castelo e, invariavelmente, a resposta é que o distrito não tem população nem doentes suficientes para rentabilizar a instalação do serviço”.
“A decisão da instalação da radioterapia não depende do hospital de Viana, cujo diretor me pareceu inquestionavelmente interessado em prestar mais esse serviço aos doentes vianenses, estando como sempre à mercê do centralismo nacional.
Centralismo não só do Governo, mas dos ‘lobbies’ que atualmente controlam a prestação dos cuidados especializados da saúde, também na radioterapia, independentemente dos interesses das regiões e dos padecimentos dos doentes”, atirou o antigo presidente socialista da Câmara de Viana do Castelo que governou o município entre 1993 e 2009.
Segundo números da instituição, nos últimos seis anos, a LAHVC doou ao hospital de Santa Luzia, em equipamentos e outros aparelhos, mais de meio milhão de euros.
A Liga, formalmente constituída em 1981, tem na promoção da dádiva de sangue e no apoio direto aos doentes as suas principais áreas de atividade.
“Nos últimos anos, os Amigos do Hospital têm dedicado atenção especial aos cuidados na oncologia, quer com ações de apoio direto aos doentes, quer oferecendo o mamógrafo digital para melhorar o diagnóstico do cancro da mama e, ultimamente, substituindo todas as cadeiras/camas articuladas e as da sala de espera do hospital de dia, onde dezenas de doentes com cancro fazem diariamente quimioterapia”, refere o comunicado.
A ULSAM gere os hospitais de Santa Luzia, em Viana do Castelo, e o hospital Conde de Bertiandos, em Ponte de Lima. Integra ainda 12 centros de saúde, uma unidade de saúde pública e duas de convalescença, servindo uma população residente de 231.488 habitantes nos 10 concelhos do distrito e algumas populações vizinhas do distrito de Braga.
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