António Ribeiro e Raquel Ribeiro, antigos alunos da Universidade Politécnica de Viana do Castelo, apresentaram o cadeirão NYVEN na Oslo Design Fair, naquele que foi o primeiro passo internacional da marca Mosquito.

Dois jovens designers formados na Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) estrearam-se no mercado internacional com a apresentação de uma peça de mobiliário na Oslo Design Fair, na Noruega, considerada um dos principais encontros da indústria do design, mobiliário e decoração de interiores na Escandinávia.
António Ribeiro, de 26 anos, natural de Vila Verde, e Raquel Ribeiro, de 25 anos, de Moreira de Cónegos, Guimarães, são os fundadores da Mosquito, marca portuguesa dedicada ao design de produto e de interiores. A estreia internacional aconteceu com o cadeirão NYVEN, integrado na exposição Living in Between, promovida pela Associative Design.
Os dois designers concluíram a licenciatura em Design do Produto e o mestrado em Design Integrado na Escola Superior de Tecnologia e Gestão da UNIPVC. Após a formação, seguiram experiências profissionais distintas, mas complementares.
António trabalhou numa empresa ligada à produção de fachadas de betão para exportação, onde acompanhou diferentes fases do processo, desde o desenho até à execução. Raquel desenvolveu trabalho na área dos projetos 3D, adquirindo competências de representação, visualização e criação de espaços.
A Mosquito começou por ser uma ideia individual de António Ribeiro, centrada na criação de peças de autor. O projeto acabaria por ganhar uma nova dimensão com a entrada de Raquel Ribeiro, responsável pela componente de interiores e pelo desenvolvimento tridimensional.
Os dois antigos estudantes recordam uma reunião realizada durante o mestrado como um momento determinante. Nessa altura, a docente Liliana Soares afirmou que a marca estava a nascer e incentivou-os a avançar.
A partir desse momento, António e Raquel começaram a trabalhar em conjunto, cruzando a direção criativa e o design de produto com a componente de interiores e a representação em 3D.
O nome Mosquito foi escolhido por ser marcante, divertido e fácil de memorizar, mas acabou também por traduzir a atitude dos dois jovens criadores: entrar num mercado competitivo, conquistar espaço e desenvolver uma identidade capaz de não passar despercebida.
“Não queremos fazer o vulgar. Queremos que aquilo que criamos tenha sentimento e verdade”, sublinham.
A NYVEN, peça escolhida para a estreia internacional da marca, foi concebida por António Ribeiro e desenvolvida em conjunto com Raquel Ribeiro. O cadeirão procura afastar-se das linhas convencionais, mantendo a funcionalidade e o conforto.
A produção envolve vários profissionais portugueses. A estrutura foi desenvolvida com um artesão de Famalicão, a carpintaria é assegurada pela própria Mosquito e o estofamento ficou a cargo de um profissional de Paços de Ferreira.
A peça utiliza madeira de nogueira e pele genuína com efeito envelhecido, materiais escolhidos pela durabilidade e pela capacidade de adquirirem maior caráter ao longo do tempo.
“Produzir em Portugal significa valorizar esta rede de conhecimento e manter uma relação próxima com quem transforma o projeto em realidade”, destacam os fundadores.
A participação na Oslo Design Fair resultou de uma relação estabelecida com a Associative Design, entidade ligada à promoção e valorização da produção portuguesa. O convite permitiu à jovem marca mostrar, pela primeira vez, uma das suas peças fora do país.
Segundo António Ribeiro e Raquel Ribeiro, a NYVEN teve uma receção “muito positiva” em Oslo, sobretudo pela utilização de materiais naturais e pela ligação direta à matéria. A presença na feira permitiu ainda estabelecer contactos com arquitetos, designers e potenciais parceiros comerciais.
Apesar das oportunidades, os fundadores afirmam que pretendem avançar de forma ponderada e encontrar parceiros que compreendam a identidade da marca e permitam construir relações duradouras.
Ao recordar o percurso académico em Viana do Castelo, António e Raquel destacam o papel dos docentes Liliana Soares e Ermanno Aparo, bem como a componente prática do ensino.
Mais do que uma ferramenta técnica, os jovens designers dizem ter levado da UNIPVC “a coragem para tentar”, a capacidade de procurar soluções, apresentar ideias e acreditar que um projeto iniciado numa sala de aula pode alcançar mercados internacionais.
A presença da Mosquito em Oslo representa, assim, o primeiro passo além-fronteiras de uma marca criada por dois jovens designers e assente no conhecimento, nos materiais e na produção portuguesa.

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