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Histórias de utentes de instituições do Alto Minho guardadas em livro

3 Janeiro, 2025 | 14:25
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Pedro Xavier
3 min. leitura

Catorze histórias de vida de utentes de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do Alto Minho vão ser tornadas públicas com o lançamento do livro “Incríveis Pessoas Comuns”, que pretende perpetuar estes testemunhos como exemplo para as gerações futuras.

O autor do livro, Vasco Araújo, explicou que as histórias resultam de conversas que manteve, nos últimos três anos, com pessoas com idades entre os 70 e os 101 anos, que estão institucionalizadas, seja em centros de dia, centros de convívio, Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) ou que recebem apoio domiciliário.

“Chamo-lhes bioconversas, porque na verdade não corresponde necessariamente a uma biografia, na medida em que não são tão exaustivas, mas no fundo resumem a história de vida destas pessoas que tiveram diferentes trajetos, marcadas por diferentes circunstâncias. Todas têm histórias muito ricas, verdadeiras lições de vida”, referiu.

Vasco Araújo, de 40 anos, psicólogo de formação e diretor executivo do Centro Paroquial e Social de Lanheses, em Viana do Castelo, que financiou a edição do livro, disse ter sentido “a necessidade de valorizar a vida destas pessoas que legitimam o trabalho realizado no terceiro setor, criando uma forma de compilar as suas memórias para que sejam conhecidas e não se percam”.

Cada capítulo do livro é dedicado a uma história de vida distinta, como Manuel Pereira, hoje com 101 anos, que atribui a sua longevidade à água de uma fonte em Podame, Monção, chamada fonte viagra.

Vasco Araújo destaca ainda o capítulo oito do livro dedicado ao senhor “olímpico”, de 86 anos. Agostinho Gonçalves Campos participou, esta semana, na corrida de São Silvestre, entre Monção e Salvaterra do Minho, na Galiza.

“Levanta-se todos os dias cedo, faz aquecimento de 45 minutos a subir e descer escadas do lar onde vive, faz uma marcha de 12 quilómetros, meia hora de remo e sofre da doença de Parkinson”, sublinhou.

O livro, que vai ser apresentado no dia 07 de janeiro em Viana do Castelo, conta também o testemunho de uma senhora de Valença que teve 14 filhos, dois já falecidos, e que ficou cega aos 19 anos depois do primeiro parto, em que teve gémeos.

“Teve uma vida muito exigente e dura, muito pobre. Mesmo cega conseguiu criar os filhos, encontrar uma forma de subsistência e construir uma casinha, sendo que o marido faleceu aos 34 anos e deixou de ter qualquer tipo de suporte”, realçou.

No capítulo três, intitulado “Um rádio numa casca de noz”, Vasco Araújo conta a história de um apaixonado por rádio amadorismo: Henrique Vieira construiu um rádio dentro de uma casca de noz.

O capítulo nove – “A Arte do acontecimento” – é dedicado ao pintor Henrique da Silva, um dos fundadores da bienal de arte de Vila Nova de Cerveira.

Mais do que um livro, “é um projeto intergeracional que visa celebrar a vida daqueles que nos precedem, dignificando as histórias das pessoas mais velhas e enriquecendo a sociedade com exemplos de coragem e sabedoria que já existem e que ainda têm muito a contribuir”, disse.

O projeto vai ter continuidade com o lançamento, pelo centro paroquial de Lanheses, também no dia 07 de janeiro, de um ‘website’, designado Incríveis Pessoas Comuns, que todas as semanas irá lançar novas histórias não só de pessoas mais velhas como de crianças das IPSS, animadas com banda desenhada.

Vasco Araújo disse que a venda do livro, com um custo de 10 euros, é “uma forma inicial de financiar a recolha de mais testemunhos não só no Alto Minho, mas em outras regiões do país”, admitindo a possibilidade de candidatar o projeto a fundos comunitários “para assegurar a sua continuidade”.

A apresentação pública deste projeto comunitário, sem fins lucrativos está agendada para as 14:00, no auditório do Centro Paulo VI, em Darque, Viana do Castelo, e contará com a presença das 14 pessoas mencionadas no livro, bem como das personalidades que assinaram os prefácios do livro.

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