A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES) alerta para a necessidade de mobilização urgente dos dadores de Sangue com vista a evitar a falta de sangue nos hospitais. A última informação[1] disponibilizada pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), datada do dia 27.12.2022, dava já conta de reservas limitadas em diversos grupos sanguíneos, designadamente A-, B-, O+ e O-.

Ora, o mês de janeiro é historicamente um mês de diminuição muito significativa das dádivas, devido a diversos fatores circunstanciais há muito identificados: ligados aos feriados, pontes, época festiva do Natal e do início do ano durante o mês de dezembro que lhe antecede. Gripes, infeções respiratórias e outras doenças são outros fatores relevantes que provocam também uma diminuição da disponibilidade por parte dos dadores benévolos de sangue.
“Verificamos atualmente todas as condições para a ocorrência da ‘tempestade perfeita’ para uma falta de sangue de proporções verdadeiramente históricas e preocupantes”, diz Alberto Mota, presidente da direção da FEPODABES. Segundo este responsável, nos últimos dias “têm chegado à FEPODABES relatos preocupantes, existindo o risco real de cancelamento de cirurgias devido à escassez de sangue”.
De há largos meses a esta parte que o IPST deixou de disponibilizar informação atualizada diariamente sobre as reservas de sangue, a qual era disponibilizada no site www.dador.pt. “Esta decisão incompreensível e reveladora de falta de transparência veio também contribuir para a desmobilização generalizada dos dadores, pois falta-lhes informação que os sensibilize para a necessidade da dádiva e que crie o sentido da importância – e por vezes urgência – do seu gesto benévolo”, diz ainda Alberto Mota.
Refira-se ainda que a esmagadora maioria dos serviços de sangue dos hospitais que fazem recolha de sangue, bem como a generalidade das ações realizadas pelo próprio IPST, são realizadas sobretudo em horário laboral e durante os dias úteis da semana. Esta situação impossibilita, na prática, que muitos cidadãos possam fazer a sua dádiva, sendo mais um fator negativo para a mobilização dos dadores.
Alberto Mota alerta ainda para “a necessidade de atuação atempada, enérgica e pró-ativa do IPST, antes de estarem esgotadas as reservas”. Para o presidente da FEPODABES, “é necessário ir ao encontro dos dadores e não esperar pela diminuição das dádivas para apelar à dadiva, que é aquilo que sistematicamente sucede, revelando uma preocupante ausência de estratégia por parte do IPST”.
A FEPODABES é uma instituição sem fins lucrativos que tem como objetivo desenvolver uma atividade no âmbito da solidariedade social e humanitária no campo da dádiva benévola do sangue, promovendo a difusão da dádiva junto da população. A FEPODABES tem ainda como objetivo cooperar com o Estado em tudo o que está relacionado e com a temática da dádiva benévola de sangue, representados os os seus filiados junto dos Serviços Públicos nos assuntos comuns e da sua competência específica.
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