Logo
Nacional

Covid-19 provocou nos primeiros dois anos da pandemia mais 19.119 mortes do que era esperado

8 Dezembro, 2024 | 9:25
Partilhar
Viana TV
4 min. leitura

A covid-19 provocou nos primeiros dois anos da pandemia mais 19.119 mortes do que era esperado para o mesmo período e o excesso de mortalidade afetou sobretudo os mais velhos e doentes crónicos, segundo o Instituto Ricardo Jorge.

O estudo pedido pela ex-ministra Marta Temido, que tutelava a pasta da Saúde quando a pandemia chegou a Portugal, em março de 2020, estima que entre essa altura e 31 de dezembro de 2021 tenham ocorrido 21.243 óbitos em excesso, 90% dos quais (19.119) atribuíveis à covid-19.

O trabalho do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), a que a Lusa teve acesso, concluiu que a pandemia teve um impacte de muito elevada intensidade na mortalidade, principalmente devido às mortes por covid-19, e que estes impactes não foram iguais para toda a população, sendo mais intensos nos grupos etários mais idosos e nas pessoas com doenças crónicas.

“Tal reforça a necessidade de dar prioridade a estes grupos populacionais na preparação e resposta a futuras pandemias, quer na proteção em relação à infeção e suas complicações, quer na prevenção e mitigação dos efeitos secundários das medidas não farmacológicas”, refere o estudo.

Em declarações à Lusa, a investigadora Ana Paula Rodrigues, responsável por este trabalho, disse não ser surpreendente que a covid-19 tenha sido a principal causa do excesso de mortalidade naquele período, lembrando: “era uma infeção nova, nenhum de nós tinha imunidade e todos nós estávamos em grande risco”.

“Os dados estão próximos das estatísticas oficiais, o que valida o estudo e indica que Portugal teve a capacidade, na maior parte do período (… ), de diagnosticar”, acrescentou.

Para a investigadora, é normal que os mais afetados tenham sido os mais velhos, porque a idade é um fator de risco para a covid-19 e pode ser fatal nos mais idosos, ao que acresce a longa esperança de vida da população portuguesa, mas com o final de vida vivida “com incapacidade e doença”.

“São estes, os mais vulneráveis, que devem ser valorizados e protegidos, mas também as forças de trabalho, porque senão não temos ninguém que responda à pandemia”, disse.

A investigadora lembrou que já na vacinação os mais idosos e doentes crónicos foram priorizados, mas disse que, no futuro, Portugal “tem de ter a capacidade de identificar outras medidas, dentro das não farmacológicas, que protejam especificamente estes grupos etários”.

“Ainda por cima alguns estão institucionalizados e a institucionalização em si é um fator acrescido para doenças infecciosas, pela proximidade das pessoas”, constatou a especialista, lembrando também que, os que não estão em instituições, “estão muito isolados”.

Olhando para as características da população portuguesa, afirmou: “Temos que olhar para todo este contexto social e, além das medidas específicas de proteção, numa próxima pandemia, desenvolver outras medidas sociais e no âmbito da saúde para os proteger também de outros efeitos, não os colocando em risco de agravamento de outras patologias que já tenham”.

O estudo apontou para um excesso de mortalidade por todas as causas nos grupos etários acima dos 65 anos, aumentando com a idade, mas sublinhou que o efeito direto da covid-19 foi diminuindo com a idade, admitindo que a população mais idosa possa ter sido “a que mais sentiu os efeitos secundários das alterações sociais e da organização e acesso aos serviços de saúde durante a pandemia”.

Os investigadores referem mesmo que as mudanças nas condições económicas e sociais decorrentes da concretização das medidas não farmacológicas, além da reorganização dos serviços de saúde, “podem ter contribuído para o aumento indireto de algumas causas de mortes durante a pandemia”, seja devido a atrasos ou evicção de cuidados médicos, ao aumento do consumo de substâncias ilícitas e ideação suicida, ou até o aumento na violência interpessoal.

À semelhança do que aconteceu noutros países, também em Portugal a população com maior nível de privação económica foi aquela em que se observou uma estimativa pontual do excesso de mortalidade diretamente atribuível à covid-19 mais elevada (89 %).

 

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Internacional 10 Setembro, 2026

AECT Rio Minho promove formação sobre pesquisa de dados com Inteligência Artificial

O AECT Rio Minho vai promover, entre 15 e 18 de setembro, em Valença e no Porriño, uma formação dedicada à utilização da Inteligência Artificial na pesquisa, análise e interpretação de dados estatísticos.

Regional 10 Setembro, 2026

Viana Bate Forte começa amanhã com 15 concertos no centro histórico

O centro histórico de Viana do Castelo volta a transformar-se num palco a céu aberto com a realização da 9.ª edição do Viana Bate Forte, que começa amanhã, sexta-feira, e se prolonga até sábado, 12 de setembro.

Nacional 10 Setembro, 2026

ANSR, GNR e PSP reforçam fiscalização do uso do cinto, cadeirinhas e capacete

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Polícia de Segurança Pública (PSP) promovem, até 14 de setembro, a campanha “Cinto-me Vivo”, destinada a sensibilizar para a utilização correta dos dispositivos de segurança.

Cultura 10 Setembro, 2026

Oficinas Regulares de Teatro arrancam em Viana do Castelo com criação conjunta no horizonte

As Oficinas Regulares de Teatro iniciaram uma nova temporada em Viana do Castelo, com uma primeira sessão dedicada ao acolhimento dos participantes e à descoberta dos espaços onde decorrerá o trabalho artístico ao longo dos próximos meses.

Cultura 10 Setembro, 2026

Ponte de Lima celebra 200 anos das Feiras Novas

Ponte de Lima já vive a sua maior romaria, numa edição histórica que assinala os 200 anos das Feiras Novas.

Nacional 10 Setembro, 2026

Fortaleza de Valença representa o Minho na final das 7 Maravilhas de Portugal

A Fortaleza de Valença é a única candidata minhota apurada para a final das Novas 7 Maravilhas de Portugal, na categoria Castelos. A Câmara Municipal apela agora à mobilização de toda a região para ajudar o monumento a alcançar um lugar entre os vencedores.

Regional 10 Setembro, 2026

Academia Sénior do CER abre inscrições para o novo ano letivo em Viana do Castelo

A Academia Sénior do Centro de Estudos Regionais (CER) prepara-se para iniciar, na segunda quinzena de setembro, o ano letivo 2026/2027, com uma programação orientada para a aprendizagem, criatividade, atividade física e convívio.