Logo
Nacional

Centenário de Mário Soares assinala-se hoje para evocar figura central da democracia

7 Dezembro, 2024 | 8:55
Partilhar
Viana TV
4 min. leitura

Os cem anos do nascimento de Mário Soares, figura central da democracia portuguesa e antigo Presidente da República, assinalam-se este sábado, efeméride que será comemorada com um vasto programa de iniciativas até dezembro de 2025.

Mário Soares, que morreu em janeiro de 2017, aos 92 anos, desempenhou os mais altos cargos no país e a sua vida confunde-se com a própria história contemporânea portuguesa, sendo fundador e primeiro líder do PS após combater o regime do Estado Novo.

Filho de João Lopes Soares, um ministro na I República, e de Elisa Nobre Baptista, Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, tendo estado omnipresente na vida pública do país, tanto nas décadas anteriores à revolução de 25 de Abril de 1974, como nos primeiros 40 anos da democracia portuguesa.

Preso político e posteriormente exilado em São Tomé e Príncipe e França durante a ditadura, Soares regressou a Portugal poucos dias depois da “revolução dos cravos” e desempenhou o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros nos primeiros governos provisórios. Liderou os I, II e IX Governos Constitucionais (1976-78 e 1983-85), até chegar à Presidência da República, cargo em que cumpriu dois mandatos (1986-1996).

Durante uma das estadas na prisão, em 1949, casou-se com Maria de Jesus Barroso, então atriz, com a qual teve dois filhos, Isabel, que dirige o Colégio Moderno, e João, que foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deputado e eurodeputado do PS e ministro da Cultura no primeiro executivo liderado pelo socialista António Costa.

Em 1943, Mário Soares, licenciado em Ciências Históricas-Filosóficas (1951) e em Direito (1957), aderiu na clandestinidade ao Partido Comunista Português, do qual seria formalmente expulso em 1950.

Desde a fundação do PS, na localidade alemã de Bad Munstereifel, em 19 de abril de 1973, Soares desempenhou o cargo de secretário-geral dos socialistas portugueses ao longo de 13 anos, até 1986.

Após a revolução de Abril, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros nos primeiros governos provisórios, esteve envolvido nos processos de reconhecimento da jovem democracia portuguesa e de descolonização da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, São Tomé e Príncipe e Moçambique e, no plano político interno, sobretudo em 1975, colocou-se na linha da frente contra o PREC (Processo Revolucionário em Curso).

Já como primeiro-ministro dos I e II governos Constitucionais, teve de gerir o regresso de milhares de cidadãos das ex-colónias e uma situação de quase rutura financeira do país, que implicou, pela primeira vez, o recurso do país ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

A partir de 1977, foi pela mão de Mário Soares que começou o processo de adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), concretizado a 12 de junho de 1985, também durante um Governo por si liderado (o IX, do “Bloco Central” PS/PSD).

Pouco depois, em 1986, Mário Soares sucedeu a Ramalho Eanes em Belém, derrotando primeiro outros candidatos de esquerda – Maria de Lurdes Pintassilgo e Salgado Zenha – e, na única segunda volta presidencial até agora realizada, o democrata-cristão Freitas do Amaral. Tornou-se então o primeiro chefe de Estado civil da democracia, após uma campanha que deixou na memória de muitos portugueses o mote: “Soares é fixe”.

Reeleito em 1991 para um segundo mandato em Belém – este marcado pela conflitualidade política com o então primeiro-ministro, Cavaco Silva – o fundador do PS foi ainda foi eurodeputado (1999) e novamente candidato à Presidência da República (2006), perdendo para Cavaco Silva e sendo ainda ultrapassado nos votos pelo também socialista Manuel Alegre.

Embora formalmente distante da primeira linha política desde 2006, Mário Soares manteve mesmo assim uma intervenção pública regular, que apenas foi interrompida por razões de saúde nos primeiros dois meses de 2013.

Nos últimos anos da sua vida, o antigo Presidente República destacou-se pela dureza das suas críticas ao “neoliberalismo”, ao funcionamento da União Europeia, ao Governo PSD/CDS de Pedro Passos Coelho, mas também à anterior liderança socialista de António José Seguro.

Após a morte da sua mulher, Maria de Jesus Barroso, em julho de 2015, começaram a ser raras as aparições públicas de Mário Soares.

Em 2016, já com a sua saúde debilitada, Mário Soares foi alvo de várias homenagens institucionais, a primeira quando recebeu em abril do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, numa cerimónia reservada, o diploma de deputado honorário no âmbito dos 40 anos da posse da Assembleia Constituinte.

A 23 de julho, o ex-primeiro-ministro António Costa, numa cerimónia pública que se realizou nos jardins de São Bento, prestou homenagem ao I Governo Constitucional, liderado por Mário Soares, por ocasião dos 40 anos da posse deste executivo minoritário do PS.

Mário Soares esteve presente pela última vez numa sessão pública em 28 de setembro de 2016, quando o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, homenageou a antiga presidente da Cruz Vermelha Portuguesa Maria de Jesus Barroso.

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Internacional 22 Julho, 2026

Ponte Tui–Valença recebeu milhares de pessoas em 12 horas de cultura ibérica

Milhares de pessoas atravessaram, no sábado, a Ponte Internacional Tui–Valença, que esteve encerrada ao trânsito e transformada num palco cultural para celebrar os 140 anos da ligação entre Portugal e Espanha.

Nacional 22 Julho, 2026

Viana do Castelo avança com sistema de videovigilância no centro histórico

A Câmara Municipal de Viana do Castelo e o Comando Distrital da PSP assinaram, esta terça-feira, um protocolo para financiar a instalação e utilização de um sistema de videovigilância na cidade.

Regional 22 Julho, 2026

Celebrações em Viana do Castelo evocam legado de São Bartolomeu dos Mártires

A Igreja de São Domingos, em Viana do Castelo, recebeu as celebrações em honra de São Bartolomeu dos Mártires, numa cerimónia marcada pela evocação do seu testemunho de fé, humildade e serviço à Igreja.

Nacional 22 Julho, 2026

IPVC passa a Universidade Politécnica de Viana do Castelo

O Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) inicia uma nova etapa da sua história ao passar a designar-se Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC).

Nacional 22 Julho, 2026

Morreu Luís Represas, uma das vozes marcantes da música portuguesa

O cantor e compositor Luís Represas morreu esta quarta-feira, aos 69 anos, vítima de doença prolongada. A informação foi confirmada pela agência responsável pelo agenciamento do músico.

Regional 22 Julho, 2026

Dois homens detidos em Valença por roubo de mochila a mulher de 67 anos

Dois homens, de 21 e 35 anos, foram detidos pela GNR por suspeita de terem roubado a mochila a uma mulher de 67 anos, através do método de esticão, no concelho de Valença.

Nacional 21 Julho, 2026

Ponte de Lima recebe “Festa na Praça Continente” com Ana Bacalhau

Ponte de Lima será uma das paragens da segunda edição da Festa na Praça Continente, iniciativa que vai percorrer oito localidades portuguesas ao longo do verão e que promete levar música, gastronomia e animação ao centro da vila nos dias 24 e 25 de julho.