A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) defendeu hoje que o preço do azeite deverá manter-se ou até mesmo subir até que a oferta seja reposta, alertando para a possibilidade de produtos adulterados em canais informais.

O preço do azeite subiu 69% em janeiro em Portugal, registando o maior aumento homólogo do produto, que na média da União Europeia (UE) aumentou 50%, segundo dados divulgados, na terça-feira, pelo Eurostat.
“Enquanto não se verificar uma reposição da oferta no mercado, ou seja, até que a produção se regularize, é natural que os preços não desçam e que inclusivamente possam ainda subir”, afirmou fonte oficial da CAP, em resposta à Lusa.
A partir de maio vão ser conhecidas as estimativas relativas à próxima campanha do azeite, que a CAP diz serem fundamentais para avaliar o comportamento futuro deste mercado.
A confederação avisou também que os consumidores não se devem deixar enganar por preços “significativamente abaixo dos valores correntes de mercado” em canais informais, tendo em conta que podem estar a comprar produtos adulterados.
Para a subida do preço do azeite contribuiu o aumento dos custos de produção, da energia e dos combustíveis, o impacto da seca e a consequente quebra na produção, referiu.
Segundo a CAP, o facto de países produtores, como Espanha ou Itália, terem passado a abastecer-se em Portugal contribuiu também para uma redução da oferta e para o agravamento dos preços.
Já quanto ao facto de a subida verificada em Portugal ser superior à que aconteceu em outros Estados-membros, a confederação presidida por Álvaro Mendonça e Moura notou que pode ser justificada com “diferentes velocidades de ajustamento do preço nos diferentes mercados e de rotatividade do produto junto dos consumidores”.
A isto, conforme referiu, acresce que a “elevada qualidade dos azeites portugueses tem suscitado maior procura por outros mercados, o que faz naturalmente aumentar os preços”.
De acordo com os dados do serviço estatístico europeu, na UE, o preço do azeite disparou na segunda metade de 2023, com um pico inflacionário de 51% em novembro, face ao mesmo mês de 2022.
Em dezembro de 2023, o aumento homólogo do preço do azeite abrandou ligeiramente para 47% e voltou a acelerar em janeiro.
Por sua vez, em janeiro, o preço do azeite aumentou em todos os Estados-membros.
Para além de Portugal (69%), também a Grécia (67%), Espanha (63%) e Estónia (52,2%) registaram taxas de inflação do azeite acima dos 50% em janeiro.
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