Cerca de 2.800 jovens concorreram ao concurso para a admissão de novos agentes da PSP, um número que tem vindo a diminuir todos os anos, segundo a Polícia.

A Polícia de Segurança Pública realizou, entre 06 e 27 de fevereiro, um concurso para constituição de reserva de recrutamento para a admissão ao curso de formação de agentes destinado ao ingresso na carreira de agente.
Numa resposta enviada à Lusa, a direção nacional da PSP revela que concorrem ao curso de agente 2.865 candidatos, menos 178 do que no ano passado, quando concorreram 3043, menos 640 do que em 2022 (3505), menos 2.709 do que em 2021 (5574) e menos 321 do que em 2020 (3186).
Outros dados a que Lusa teve acesso mostram que os candidatos a agentes da PSP são cada vez menos, chegando a existir na década de 1990 mais de 16.000 candidatos e em 2012 eram mais de 10.000, não chegando agora aos 3.000.
A PSP refere ainda que em relação ao número de candidatos considerados aptos para frequentar o curso de formação de agentes na Escola Prática de Polícia (EPP), em Torres Novas, “apenas será possível obter uma relação após a realização e conclusão de todas as provas inerentes ao processo de seleção”.
Os candidatos a polícia têm agora de passar por provas de conhecimentos, físicas, testes psicotécnicos e entrevista profissional.
Em declarações à Lusa, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) considerou o número de candidatos muito baixo.
“Esses números refletem aquilo que andamos a dizer há muito tempo: falta de atratividade e um total desinteresse dos jovens em concorrer à PSP”, disse Paulo Santos, sustentando que a falta de candidatos está relacionada com problemas estruturais, designadamente “baixos salários, perda de condições de trabalho e uma dignificação que a carreira já teve e que neste momento não tem”.
Questionado se os protestos dos polícias dos últimos dois meses por melhores salários e condições de trabalho podem ter influenciado estes números, o sindicalista disse que não.
“É verdade que o prazo de recrutamento coincidiu com uma jornada de luta, mas não tem a ver com isso, tem a ver exatamente com as apreciações que os jovens fazem das condições que a PSP tem neste momento. A razão principal é a pouca dignificação que a PSP tem tido enquanto carreira policial”, precisou.
Paulo Santos considerou também que a seleção dos futuros polícias “não fica comprometida” devido ao baixo número de candidatos, mas admitiu que “quando há poucos candidatos há uma menor capacidade de fazer uma seleção mais apertada”.
Em 2022, foram alteradas as condições de acesso à PSP, nomeadamente a idade mínima (18 anos) e máxima (30 anos) para o acesso à profissão.
“Na altura fomos críticos dessa alteração, pois não eram essas as razões que afastavam os jovens e não veio resolver o problema de raíz”, disse ainda o presidente do maior sindicato da PSP, indicando os três maiores problemas da PSP atualmente: “a falta de candidatos, fuga de quadros e aqueles que já têm condições para passar à pré-aposentação e estão a ser barrados porque não há quem queira entrar”.
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