Os presidentes das câmaras de Caminha, Alto Minho, e de A Guarda e O Rosal, Galiza, enviaram na sexta-feira um ofício conjunto ao primeiro-ministro português para que o desassoreamento do rio Minho conste da agenda da próxima Cimeira Ibérica.

O autarca de Caminha, Rui Lages, e os congéneres de A Guarda, Roberto Carrero, e a de O Rosal, Ánxela Fernández Callís, pretendem que os governos português e espanhol discutam e a apresentem soluções para o desassoreamento do rio Minho, que “é uma preocupação conjunta destes municípios” situados nas margens do curso de água internacional.
Os três responsáveis reclamam “um debate sério e profundo, mas também soluções para um problema que se arrasta e que prejudica todos os municípios ribeirinhos, em várias frentes, desde logo comprometendo a economia da região que envolve a euro-cidade da foz do rio Minho, mas também a segurança, que poderá estar em causa em caso de sinistro ou acidente”.
Em Maio, os municípios anunciaram que a criação da quarta euro-cidade entre as duas regiões transfronteiriças (Alto Minho e Galiza) irá chamar-se Foz do Minho.
Para os três autarcas, a missiva enviada a Luís Montenegro “é mais uma diligência que tenta trazer o tema para a ordem do dia e comprometer os governos ibéricos numa solução”.
Já na Cimeira Ibérica realizada em 2022, em Viana do Castelo, os autarcas de Caminha e A Guarda solicitaram a inclusão, na agenda do encontro, da “possibilidade de concretização de uma ligação efectiva, regular e segura entre estes dois povos”.
O assoreamento do rio Minho “foi um dos temas debatidos esta semana na reunião ordinária do executivo municipal de Caminha, tendo ficado novamente expressa a preocupação dos autarcas”.
Anteriormente, em Setembro, Rui Lages afirmou “o interesse do transporte fluvial que, até 2021, era garantido pelo ‘ferryboat’ Santa Rita de Cássia”.

“Porém, depois de concluídas as obras no cais de atracação do lado galego, o ‘ferry’, que liga Caminha a A Guarda, não retomou as travessias, encontrando-se sobre um banco de areia, perante um canal visivelmente assoreado”, refere a nota.
O ‘ferryboat’ Santa Rita de Cássia começou a cruzar o rio Minho em 1995, mas ao longo dos anos a travessia esteve várias vezes interrompida, em algumas situações por largos períodos, ou devido a avarias na embarcação ou pelo assoreamento do canal de navegação.
Na altura, Rui Lages “alertou para o perigo do assoreamento do rio Minho poder colocar em risco a operacionalidade dos meios de socorro em acções de salvamento, num incidente que venha a ocorrer”, sendo que “o condicionamento das actividades ligadas à pesca e às marítimo-turísticas são outros problemas, com reflexos muito sérios para a economia”.
“Pelo facto de se tratar de um rio internacional, o assoreamento é um problema que exige o empenhamento dos governos de Portugal e Espanha, não estando qualquer solução ao alcance dos municípios”, defendem.
Caminha é único concelho do vale do Minho que depende do transporte fluvial para garantir a ligação à Galiza.
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