O Bloco de Esquerda (BE) defendeu ser “crucial” que os autarcas do distrito de Viana do Castelo e Comunidade Intermunicipal (CIM) Alto Minho “apresentem soluções para o impasse” na criação de um serviço público de transportes na região.

Em causa está o cancelamento do segundo concurso do serviço público de transportes, lançado pela CIM Alto Minho em novembro de 2023. Segundo explicou hoje aquela associação, que agrega os 10 concelhos do distrito de Viana do Castelo, a razão da anulação do concuro foi atribuída à empresa vencedora [a NEX Continental Holdings, conhecida como Alsa], que não apresentou documentos de habilitação e prestação da caução, pelo que vai ser preparado um terceiro procedimento.
Em comunicado envidado às redações, a distrital do BE de Viana do Castelo, com o balanço das três tertúlias que promoveu sobre mobilidade, lamenta “que, mais uma vez, o futuro da mobilidade na região tenha sido adiado”.
“Desde março de 2023, data do lançamento do primeiro concurso para os transportes públicos na região, que já contamos com dois concursos anulados, com muitos recuos e poucos avanços. É crucial que os autarcas do distrito e a CIM-Alto Minho apresentem soluções para este impasse que já se prolonga há demasiado tempo, sendo que os mesmos já assumiram a importância do serviço de transporte público para o interesse público”, destaca o BE.
Entre as conclusões das tertúlias, o BE destaca a inexistência de “uma resposta adequada às necessidades das populações, no que toca aos transportes públicos”, sendo que “relativamente à ligação à Galiza, a oferta existente é o comboio Celta que oferece apenas duas ligações diárias em cada sentido, sendo os horários incompatíveis com os horários laborais e, portanto, não pode ser utilizado pelos milhares de trabalhadores e trabalhadoras transfronteiriços/as que se deslocam diariamente”.
“Tendo em conta a proximidade de relações sociais, culturais e económicas destas duas regiões, e aproveitando as eurocidades existentes, é imprescindível uma resposta concertada para o reforço da oferta de transportes públicos que liguem o Alto Minho e a Galiza”, defende o distrital de Viana do Castelo do BE.
O partido realça ainda que “apenas quatro concelhos do distrito de Viana do Castelo são abrangidos pela rede ferroviária nacional”.
“Tendo em conta que esta [ferrovia] não é utilizada como eixo central de mobilidade, e que, na realidade, a rede rodoviária pública é praticamente inexistente, deixa todos os outros concelhos sem possibilidade de utilizar o comboio”, acrescenta.
Para o BE, “é urgente que o Alto Minho tenha uma resposta de transportes públicos concertada tanto entre concelhos como entre modos de transporte. A Linha do Minho necessita ser utilizada como eixo central de mobilidade, de forma a ligar os concelhos não abrangidos pela mesma através da rede rodoviária”.
“Neste momento, todos os concelhos do Alto Minho sofrem da falta de transportes que deem resposta às necessidades das populações. Numa região em que a taxa de utilização do automóvel é altíssima, os esforços deveriam estar a ser dirigidos no sentido de aumentar a oferta de transportes públicos para que as pessoas deixem de ter necessidade de o utilizar, e para que quem não tem veículo próprio possa movimentar-se dentro da região sem ter demasiados custos”, sustenta.
A Câmara Municipal de Viana do Castelo vai manter em 200 mil euros o investimento na iluminação de Natal, mas alargar o número de ruas abrangidas. O protocolo de cooperação com a Associação Empresarial do Distrito de Viana do Castelo (AEDVC) foi aprovado por unanimidade esta terça-feira, em reunião do executivo municipal.
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