O contra-almirante José Vizinha Mirones, diretor-geral da Autoridade Marítima Nacional (AMN), disse em Viana do Castelo que o plano de investimento da frota daquela entidade ainda não está fechado e garantiu não existir “nenhuma emergência” de meios operacionais.

“Não existe nenhuma emergência. A AMN tem os meios necessários para o cumprimento da missão. Estamos a falar de uma renovação programada e planeada”, afirmou José Vizinha Mirones.
O diretor-geral da AMN, que é também comandante-geral da Polícia Marítima falava aos jornalistas no final da cerimónia de entrega, pela empresa de Viana do Castelo, Navallethes, de duas embarcações salva-vidas semirrígidas de terceira geração, orçadas em cerca de 700 mil euros.
“Neste momento, temos um plano de investimento que não está, ainda, completamente terminado. A nossa intenção é, de facto, proceder de uma forma planeada, programada, à renovação da frota que, esperamos, se tudo correr bem, vir a concretizar com o apoio das nossas empresas”, afirmou
Questionado pelos jornalistas, o contra-almirante adiantou que o “plano de investimento tem de ser discutido com a tutela”, considerando ser “prematuro falar de valores”.
“Existe uma intenção de renovar a frota existe”, afirmou, reforçando que “os meios que existem estão operacionais”, apesar “do desgaste normal e natural”.
“À medida que os meios vão envelhecendo, vão sendo renovados. Não direi que há uma necessidade urgente”, insistiu.
José Vizinha Mirones referiu que a renovação da frota da AMN será “planeada e programada” em “parceria com o tecido empresarial português”.
“Este é um exemplo [Navallethes] de uma ligação virtuosa, que espero que venha a ser robustecida para o desenvolvimento da indústria local. Isto gera emprego, gera inovação, desenvolvimento económico e contribui para o reforço da Marinha e da AMN”, adiantou.
As duas embarcações entregues, com 11 metros de comprimento e equipada com dois motores de 300 cavalos, destinam-se a apoiar atividades relacionadas com a salvaguarda da vida humana no mar, em condições ambientais adversas e severas.
Foram entregues ao Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) para servir as capitanias de Aveiro e de Ponta Delgada, no Açores.
As “embarcações estão dotadas de um sistema de auto-adriçamento [quando sujeitas a um golpe de mar volta à posição original], flutuadores com núcleo em espuma de célula fechada, assentos com suspensão, atingem uma velocidade máxima superior a 80 quilómetros/hora e têm uma autonomia de 200 milhas náuticas”, especificou.
“Os requisitos operacionais são transversais a todas as embarcações da Marinha e da AMN. A diferença é que, graças às novas tecnologias e às competências da Navallethes, temos equipamentos mais modernos”, afirmou José Vizinha Mirones.
Segundo o administrador da Navallethes, com estaleiro na zona empresarial da Praia Norte, Viana do Castelo, as duas embarcações hoje entregues são as primeiras de nova geração que a empresa construiu.
“A Marinha e a ANM têm sido parceiros extremamente interessantes. Todos os desafios que nos lançam fazem-nos partir em busca da inovação e encontrar soluções para fazer face às necessidades”, afirmou Francisco Portela Rosa.
O presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, destacou a “confiança” que a Marinha depositou no tecido empresarial do concelho.

O autarca socialista realçou a “visão da AMN, do senhor Almirante de destacar a indústria portuguesa, de convocar a indústria portuguesa para a produção dos equipamentos.
“Se há competência industrial instalada [no concelho] é na construção e reparação naval. Há uma relação de confiança na nossa indústria, nesta área e, nesta empresa em particular. Há relevância na indústria nacional para ser aproveitada por todas as entidades nacionais. Só havendo oportunidades de contratação é que pode haver capacidade financeira para desenvolver e inovar”, referiu.
O executivo municipal de Viana do Castelo aprovou, em reunião ordinária, a proposta de Protocolos de Colaboração com Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e entidades do movimento associativo para 2026 – 1.ª fase, num montante global anual de 178.560 euros.
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