Igrejas e santuários em várias regiões de Portugal estão a sofrer danos significativos após a depressão Kristin, e o Atelier Samthiago, de Viana do Castelo, juntou-se às iniciativas de apoio à recuperação do património religioso.

Segundo Fátima Eusébio, diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), numa primeira avaliação foram identificados “mais de três dezenas de edifícios com danos”, excluindo casos de menor gravidade, como algumas telhas soltas. Entre os exemplos mais graves está o Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, na Diocese de Leiria-Fátima, cujos danos foram classificados como “vastíssimos”, incluindo a queda de campanários e telhados danificados.
A tempestade afetou sobretudo igrejas, mas também algumas ermidas, como na zona de Portalegre-Castelo Branco. Os danos continuam a aumentar devido às infiltrações de água e aluimentos de terra provocados pelo mau tempo, colocando em risco o património presente no interior dos edifícios.
Para enfrentar esta situação, o Secretariado Nacional dos Bens Culturais lançou uma campanha solidária, apelando à colaboração de conservadores-restauradores, arquitetos, mestres sineiros e empresas do setor, tanto para diagnosticar os danos como para preparar os cadernos de intervenção. O Centro de Conservação e Restauro da Diocese de Bragança-Miranda disponibilizou técnicos para atuar gratuitamente, enquanto o Atelier Samthiago e a empresa Jerónimos dos Sinos também se juntaram à iniciativa.
“Até material de acondicionamento para proteger o património pode ser um contributo essencial”, destacou Fátima Eusébio, acrescentando que o diálogo com o Património Cultural, I.P., e com as dioceses vai continuar.
O Governo português anunciou recentemente 14 medidas de apoio às regiões afetadas pela depressão Kristin, incluindo 20 milhões de euros destinados à recuperação de todo o património cultural, incluindo edifícios, muralhas, castelos e igrejas, com prioridade para o património classificado.
Para a responsável da CEP, a conservação do património religioso deve integrar esta solidariedade nacional, e a comunidade “também se vai unir nesse aspeto” assim que forem asseguradas as prioridades mais urgentes.
Foto: Rádio Renascença
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