O festival de cerveja artesanal Artbeerfest realizado em Caminha em 2023 teve um “impacto económico global” no concelho de cerca de 5,6 milhões de euros nos quatro dias do evento, de acordo com um estudo apresentado.

Investigadores do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) indicam que 35 mil pessoas participaram na 10.ª edição do Artbeerfest de Caminha, sendo que os 13.230 turistas (com pelo menos uma pernoita) gastaram 4,2 milhões de euros no concelho, ao passo que os 21.770 “excursionistas” (visitantes diários) despenderam 1,4 milhões.
O presidente da Câmara de Caminha, Rui Lages, considerou o festival como um “evento âncora no concelho”, que “projeta o nome” do concelho de uma forma “que não é mensurável” mas que, segundo o estudo, representa “um retorno económico superior a cinco milhões de euros em quatro dias de festival”.
De acordo com o autarca, a câmara apoia o festival com “61 mil euros mais IVA”.
Já o diretor do festival, Otávio Costa, revelou que o evento tem um “orçamento global de 140 mil euros”.
O estudo “Caracterização do comportamento do consumidor e avaliação dos gastos globais dos visitantes – 2023” foi feito por iniciativa do IPVC e não por encomenda da Câmara ou da organização, ressalvaram os responsáveis durante a apresentação, na Biblioteca Municipal de Caminha, no distrito de Viana do Castelo.
A avaliação académica foi feita a partir da recolha de 378 inquéritos a participantes no festival, tendo depois sido “extrapoladas” as respostas para o total de visitantes do evento, explicou a docente Susana Rachão, do IPVC.
A investigadora notou ainda que a avaliação do impacto global de 5,6 milhões de euros foi feita tendo em conta “os gastos indicados pelos inquiridos”, não tendo sido contabilizadas, por exemplo, as despesas “da organização na aquisição de serviços”.
De acordo com o estudo, a maior parte dos inquiridos tinha o grau de mestre (46,8%) e 22% eram licenciados.
“A maioria trabalha para o setor privado, a maior parte reside no Porto mas também em Viana do Castelo e em Braga”, descreveu.
Experimentar “cervejas novas e diferentes” é uma das principais “razões para participar”, tendo sido indicada por 24,7% dos inquiridos.
A maior parte dos participantes deslocaram-se ao evento por recomendação familiar e 50% regressaram a casa no fim da participação, tendo 15,6% optado por pernoitar em alojamento local.
Quem ficou alojado no concelho “gastou, em média, 122,57 euros”.
Mais de metade dos inquiridos (55,3%) gastaram dinheiro em alimentação fora do recinto do festival.
A média de despesa com alimentação por participante foi de 23 euros.
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