Logo
Nacional

Área ardida de mais de 136 mil hectares foi a terceira maior na última década

16 Novembro, 2024 | 9:25
Partilhar
Viana TV
4 min. leitura

Os incêndios rurais em 2024 correspondem ao valor mais baixo numa década, mas a área ardida foi a terceira maior, totalizando 136.424 hectares (ha), a maioria consumida pelos fogos de setembro, refere o mais recente relatório divulgado.

De acordo com um relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entre 01 de janeiro e 15 de outubro de 2024 registaram-se 6.229 incêndios rurais, que resultaram em 136.424 ha de área ardida, entre povoamentos (81.206 ha), matos (45.583 ha) e agricultura (9.635 ha).

Os dados provisórios do ICNF, que alteram números avançados no relatório anterior, indicam que, comparando este ano com os 10 anos anteriores, registaram-se “menos 47% de incêndios rurais e mais 22% de área ardida relativamente à média anual do período”.

No documento salienta-se que, em 2024, até 15 de outubro, regista-se “o valor mais reduzido em número de incêndios e o terceiro valor mais elevado de área ardida, desde 2014”.

O relatório destaca que em setembro ocorreu o maior número de incêndios rurais, com um total de 1.917 fogos, o que corresponde a 31% dos incêndios registados este ano, bem como o mês com maior área ardida no ano, num total de 126.076 ha, o que corresponde a 92% de área ardida durante o ano.

Os dados do ICNF apresentam entre os 20 maiores incêndios, 19 que deflagraram na terceira semana de setembro, entre os dias 15 e 17, nas regiões norte e centro do país, provocando nove mortes e destruindo casas e terrenos agrícolas.

O maior incêndio do ano, segundos os dados provisórios do relatório, deflagrou em 16 de setembro no concelho de Vila Nova de Paiva (distrito de Viseu), consumindo 20.295 ha, dos quais 14.011 ha de povoamentos florestais, seguido do fogo de Castro Daire (Viseu), no dia seguinte, com 13.615 hectares.

Três incêndios no distrito de Aveiro, dois em Sever do Vouga e um em Oliveira de Azeméis, em 15 de setembro, ocupam do terceiro ao quinto lugar, consumindo, respetivamente, 8.162, 7.654 e 6.170 ha de área ardida.

No documento destacam-se ainda Penalva do Castelo e Nelas (Viseu), com 6.053 e 6.031 ha consumidos, Baião e Paredes (Porto), com 5.945 e 3.953 ha, e Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), com 3.719 ha, entre 16 e 17 de setembro, e em 15.º na lista encontra-se Vimioso (Bragança), com 1.936 ha consumidos desde 10 de agosto.

Em termos de distritos com maior número de incêndios, por ordem decrescente, sobressaem Porto (1.381), Braga (633) e Viana do Castelo (592), mas em qualquer um dos casos, os fogos “são maioritariamente de reduzida dimensão (não ultrapassam um hectare de área ardida)”.

Aliás, o documento nota que, no caso específico da NUTS (Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos) III de Tâmega e Sousa, a percentagem de incêndios com menos de um hectare de área ardida é de 84%.

Já em relação ao distrito mais afetado, no que toca à área ardida, surge Viseu, com 49.636 ha (36% da área total ardida), seguido de Aveiro, com 27.239 ha (20%), e do Porto, com 19.941 ha (15%).

Na distribuição do número de incêndios por região (Comunidade Intermunicipal/NUTS III) destacam-se Tâmega e Sousa (923), Área Metropolitana do Porto (784) e Alto Minho (592), ao passo que, em área ardida, lidera Viseu Dão Lafões, com 43.708 ha (cerca de 32% da área total ardida), seguida de Tâmega e Sousa, com 22.407 ha (16%) e Aveiro, com 19.858 ha (15%).

Os concelhos com maior número de incêndios “localizam-se todos a norte do Tejo e caracterizam-se, maioritariamente, por elevada densidade populacional, presença de grandes aglomerados urbanos ou utilização tradicional do fogo na gestão agroflorestal”, aponta-se no relatório.

Os principais 20 concelhos “representam 34% do número total de ocorrências e 22% da área total ardida”: Arcos de Valdevez (Viana do Castelo), 259 incêndios (2.305 ha), seguido de Penafiel, 201 (1.748 ha) e Gondomar (Porto), 151 (2.493 ha).

O ICNF avança que, dos 6.229 incêndios rurais, 5.177 foram investigados e têm averiguação de causas concluída (83% dos incêndios e 40% da área ardida), com atribuição de uma causa para 3.685 incêndios, sendo as mais frequentes “incendiarismo – imputáveis (35%) e queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas (11%)”.

No relatório indica-se também que mais de 30% dos incêndios deste ano corresponderam aos níveis de severidade meteorológica elevada, ou seja, dias tendencialmente com temperaturas elevadas, vento forte, ausência de precipitação e humidade relativa baixa.

Os dados do ICNF são diferentes dos avançados pelo sistema europeu Copernicus, que indicam que os incêndios florestais de setembro consumiram cerca de 135.000 hectares em seis dias, totalizando este ano a área ardida em Portugal quase 147.000 hectares.

Uma fonte oficial do ICNF disse à Lusa que os dados provisórios mais recentes foram atualizados em resultado da análise das entidades e autoridades com responsabilidade no acompanhamento e investigação dos incêndios rurais, e que números definitivos só estarão disponíveis “no início de 2025”.

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Regional 8 Outubro, 2026

Gospel Festival Estações angaria bens para O BERÇO em Viana do Castelo

A 5.ª edição do Gospel Festival Estações reuniu música e solidariedade, no passado domingo, no Jardim Público de Viana do Castelo, com uma angariação de bens destinados a O BERÇO – Centro de Acolhimento Temporário de Bebés e Crianças em Risco.

Cultura 8 Outubro, 2026

Ponte de Lima levou vinhos e enoturismo à VINIPAX 2026

O Município de Ponte de Lima esteve presente na 17.ª edição da VINIPAX, que decorreu entre 3 e 5 de outubro, em Beja, integrada na Rural Beja, promovendo os vinhos e a oferta de enoturismo do concelho.

Cultura 8 Outubro, 2026

Monção celebra Cordeiro à Moda de Monção com gastronomia, música e tradição

Monção dedica o fim de semana de 9 a 11 de outubro a um dos pratos mais emblemáticos da gastronomia local: o Cordeiro à Moda de Monção, receita tradicional que integra as 7 Maravilhas Gastronómicas de Portugal.

Desporto 8 Outubro, 2026

UNIPVC recebe exposição que mostra como o desporto constrói valores

A Oficina Cultural da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) recebeu a exposição itinerante “Move-te por Valores”, uma iniciativa que recorre a histórias reais para mostrar como o desporto pode contribuir para a construção de valores como o respeito, a entreajuda, a resiliência, o compromisso e o fair play.

Regional 8 Outubro, 2026

Visita às obras do Viana STARTS revela futuro espaço dedicado à ciência, tecnologia e arte

O programa do S+T+ARTS Day – AQUA MOTION & Viana STARTS incluiu uma visita às obras do futuro espaço Viana STARTS, em Viana do Castelo, cuja construção está perto da conclusão.

Regional 8 Outubro, 2026

Valença assinalou 116 anos da República com foco na escola e na cidadania

O Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho acolheu, a 6 de outubro, as comemorações dos 116 anos da Implantação da República em Portugal, este ano sob o mote “A escola que forma cidadãos”.

Regional 8 Outubro, 2026

Viana do Castelo promove atividades solidárias no âmbito do Outubro Rosa

A Câmara Municipal de Viana do Castelo promove, ao longo de outubro, um programa de atividades desportivas e de convívio integrado no Outubro Rosa 2026. As iniciativas têm caráter solidário e revertem a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro, associando a prática de exercício físico à sensibilização para a prevenção do cancro da mama.