Os incêndios rurais em 2024 correspondem ao valor mais baixo numa década, mas a área ardida foi a terceira maior, totalizando 136.424 hectares (ha), a maioria consumida pelos fogos de setembro, refere o mais recente relatório divulgado.

De acordo com um relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entre 01 de janeiro e 15 de outubro de 2024 registaram-se 6.229 incêndios rurais, que resultaram em 136.424 ha de área ardida, entre povoamentos (81.206 ha), matos (45.583 ha) e agricultura (9.635 ha).
Os dados provisórios do ICNF, que alteram números avançados no relatório anterior, indicam que, comparando este ano com os 10 anos anteriores, registaram-se “menos 47% de incêndios rurais e mais 22% de área ardida relativamente à média anual do período”.
No documento salienta-se que, em 2024, até 15 de outubro, regista-se “o valor mais reduzido em número de incêndios e o terceiro valor mais elevado de área ardida, desde 2014”.
O relatório destaca que em setembro ocorreu o maior número de incêndios rurais, com um total de 1.917 fogos, o que corresponde a 31% dos incêndios registados este ano, bem como o mês com maior área ardida no ano, num total de 126.076 ha, o que corresponde a 92% de área ardida durante o ano.
Os dados do ICNF apresentam entre os 20 maiores incêndios, 19 que deflagraram na terceira semana de setembro, entre os dias 15 e 17, nas regiões norte e centro do país, provocando nove mortes e destruindo casas e terrenos agrícolas.
O maior incêndio do ano, segundos os dados provisórios do relatório, deflagrou em 16 de setembro no concelho de Vila Nova de Paiva (distrito de Viseu), consumindo 20.295 ha, dos quais 14.011 ha de povoamentos florestais, seguido do fogo de Castro Daire (Viseu), no dia seguinte, com 13.615 hectares.
Três incêndios no distrito de Aveiro, dois em Sever do Vouga e um em Oliveira de Azeméis, em 15 de setembro, ocupam do terceiro ao quinto lugar, consumindo, respetivamente, 8.162, 7.654 e 6.170 ha de área ardida.
No documento destacam-se ainda Penalva do Castelo e Nelas (Viseu), com 6.053 e 6.031 ha consumidos, Baião e Paredes (Porto), com 5.945 e 3.953 ha, e Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), com 3.719 ha, entre 16 e 17 de setembro, e em 15.º na lista encontra-se Vimioso (Bragança), com 1.936 ha consumidos desde 10 de agosto.
Em termos de distritos com maior número de incêndios, por ordem decrescente, sobressaem Porto (1.381), Braga (633) e Viana do Castelo (592), mas em qualquer um dos casos, os fogos “são maioritariamente de reduzida dimensão (não ultrapassam um hectare de área ardida)”.
Aliás, o documento nota que, no caso específico da NUTS (Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos) III de Tâmega e Sousa, a percentagem de incêndios com menos de um hectare de área ardida é de 84%.
Já em relação ao distrito mais afetado, no que toca à área ardida, surge Viseu, com 49.636 ha (36% da área total ardida), seguido de Aveiro, com 27.239 ha (20%), e do Porto, com 19.941 ha (15%).
Na distribuição do número de incêndios por região (Comunidade Intermunicipal/NUTS III) destacam-se Tâmega e Sousa (923), Área Metropolitana do Porto (784) e Alto Minho (592), ao passo que, em área ardida, lidera Viseu Dão Lafões, com 43.708 ha (cerca de 32% da área total ardida), seguida de Tâmega e Sousa, com 22.407 ha (16%) e Aveiro, com 19.858 ha (15%).
Os concelhos com maior número de incêndios “localizam-se todos a norte do Tejo e caracterizam-se, maioritariamente, por elevada densidade populacional, presença de grandes aglomerados urbanos ou utilização tradicional do fogo na gestão agroflorestal”, aponta-se no relatório.
Os principais 20 concelhos “representam 34% do número total de ocorrências e 22% da área total ardida”: Arcos de Valdevez (Viana do Castelo), 259 incêndios (2.305 ha), seguido de Penafiel, 201 (1.748 ha) e Gondomar (Porto), 151 (2.493 ha).
O ICNF avança que, dos 6.229 incêndios rurais, 5.177 foram investigados e têm averiguação de causas concluída (83% dos incêndios e 40% da área ardida), com atribuição de uma causa para 3.685 incêndios, sendo as mais frequentes “incendiarismo – imputáveis (35%) e queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas (11%)”.
No relatório indica-se também que mais de 30% dos incêndios deste ano corresponderam aos níveis de severidade meteorológica elevada, ou seja, dias tendencialmente com temperaturas elevadas, vento forte, ausência de precipitação e humidade relativa baixa.
Os dados do ICNF são diferentes dos avançados pelo sistema europeu Copernicus, que indicam que os incêndios florestais de setembro consumiram cerca de 135.000 hectares em seis dias, totalizando este ano a área ardida em Portugal quase 147.000 hectares.
Uma fonte oficial do ICNF disse à Lusa que os dados provisórios mais recentes foram atualizados em resultado da análise das entidades e autoridades com responsabilidade no acompanhamento e investigação dos incêndios rurais, e que números definitivos só estarão disponíveis “no início de 2025”.
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