Logo
Nacional

Abandono está a aumentar no ensino superior público, sobretudo no interior

4 Março, 2024 | 10:20
Partilhar
Viana TV
3 min. leitura

Cada vez mais estudantes estão a desistir do ensino superior público após o primeiro ano do curso, mas apesar das dificuldades de alojamento em Lisboa e Porto, é sobretudo no interior que o abandono escolar aumenta.

Os dados mais recentes divulgados no portal Infocursos referem-se ao ano letivo 2021/2022 e mostram que, ao contrário do setor privado, o abandono no final do primeiro ano do curso aumentou desde 2013/2014.

Entre esse período, a percentagem global de alunos que já não estavam inscritos em nenhum curso um ano após começarem uma licenciatura ou mestrado integrado manteve-se, mas se diminuiu no setor privado, de 15,8% para 12,5%, aumentou no público, de 10,2% para 11,6%.

Depois de cinco anos a diminuir consecutivamente, registando um mínimo de 8,7% em 2018/2019, o abandono voltou a subir ainda antes da pandemia da covid-19 e da crise da inflação.

Nos últimos anos, o custo do alojamento, sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, tem sido apontado como uma das principais barreiras à frequência do ensino superior, mas os dados mostram que não é nessas cidades que o problema é mais significativo.

Nas principais instituições da capital, por exemplo, há menos alunos a desistir na Universidade de Lisboa, na Universidade NOVA de Lisboa e no Instituto Politécnico de Lisboa, tendo a percentagem aumentado apenas do ISCTE-IUL, de 6,1% para 7,9%.

Por outro lado, o abandono subiu ligeiramente na Universidade e no Instituto Politécnico do Porto, fixando-se em 8,6% e 9,2%, respetivamente, abaixo, ainda assim, da média nacional.

Dados enviados à agência Lusa pela Universidade do Porto apontam também um ligeiro aumento nos anos mais recentes. De acordo com a instituição, no ano letivo passado, a percentagem de alunos que, independentemente do ano que frequentava, não se diplomou nem se inscreveu no mesmo curso ou noutro da universidade fixou-se em 7%, a mesma do ano anterior e um ponto percentual acima de 2020/2021.

Também em Coimbra a variação foi muito pouco significativa, fixando-se o abandono nos 8,7%, segundo os dados do Infocursos. À Lusa, a Universidade de Coimbra refere que no final do primeiro semestre deste ano, 439 estudantes tinham cancelado a matrícula, menos do que no mesmo período do ano anterior.

Comparativamente, há muitas instituições que registam uma taxa de abandono bastante mais alta em relação à média nacional, a maioria do ensino politécnico e localizadas nas regiões Centro e Alentejo.

O caso mais preocupante é o do Instituto Politécnico de Tomar, de onde 37,7% dos alunos saíram logo a seguir ao primeiro ano do curso. Em nove anos, o aumento foi de 20,3 pontos percentuais.

Seguem-se os politécnicos da Guarda (29,1%), de Beja (26,9%), de Castelo Branco (19,8%), a Universidade de Évora (18,4%), os politécnicos de Viseu (17,9%), de Portalegre (16,9%) e Bragança (16,6%).

O motivo pode também estar relacionado com o alojamento, não pelo custo das rendas, mas sobretudo pela falta de oferta, explicou à Lusa uma investigadora do ISCTE-IUL.

Segundo Rosário Mauritti, muitas instituições de ensino superior no interior do país não disponibilizam residências. Mesmo quando essa oferta existe, é insuficiente para acolher todos os estudantes deslocados e as alternativas privadas são poucas.

“Não existem, muitas vezes, mercados instalados para acolhimento de estudantes que se deslocam para essas regiões para poderem estudar”, referiu a investigadora, que tem estado a trabalhar num estudo sobre o tema, em que representantes dos alunos relataram, precisamente, essa dificuldade.

Além da falta de alojamento, Rosário Mauritti refere ainda que, ao contrário das grandes cidades, a mobilidade quotidiana é bastante condicionada em algumas zonas, em particular nas regiões Centro e Alentejo.

Fazendo a comparação com a capital, onde o preço dos quartos obriga muitos estudantes a continuarem a viver em casa dos pais e fazerem, diariamente, grandes deslocações para a faculdade, permitindo-lhes, dessa forma, continuar a estudar, a investigadora sublinha que essa possibilidade nem sempre existe.

Nesses casos, “se não existir alojamento, não existe mesmo possibilidade de prosseguir os estudos”, alertou, considerando que a bolsa +Superior, que apoia os estudantes em zonas de menor densidade populacional, não chega se não for complementada com condições de acolhimento dos estudantes.

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Nacional 9 Fevereiro, 2026

Autoridades reforçam alerta à população devido a condições meteorológicas adversas

O Comando Territorial de Viana do Castelo da GNR emitiu um aviso à população devido à continuidade de condições meteorológicas adversas, alertando para a possibilidade de cheias, inundações urbanas, vento forte e instabilidade de taludes em várias zonas do distrito.

Regional 9 Fevereiro, 2026

Trovoada provoca encerramento temporário do Elevador de Santa Luzia em Viana do Castelo

O Elevador de Santa Luzia, uma das principais atrações turísticas de Viana do Castelo, encontra-se temporariamente encerrado após uma avaria provocada pela trovoada registada na passada sexta-feira.

Regional 9 Fevereiro, 2026

Carnaval na Praça 2026 anima o centro de Monção

O espírito folião regressa a Monção com o Carnaval na Praça 2026, que decorre nos dias 12, 14, 15 e 16 de fevereiro. Sob o mote “Dá Corda à Tua Festa!”, o evento promete transformar o centro da vila num espaço repleto de cor, música e alegria.

Regional 9 Fevereiro, 2026

Caminha lança concurso de 295 mil euros para valorizar património museológico

A Câmara Municipal de Caminha abriu um concurso público no valor de 295 mil euros para a valorização e conservação do património museológico do concelho.

Nacional 9 Fevereiro, 2026

Proteção Civil ativa Plano Distrital de Emergência em Viana do Castelo

A Comissão Distrital de Proteção Civil de Viana do Castelo ativou, na noite deste domingo, o Plano Distrital de Emergência e Proteção Civil, na sequência da situação meteorológica adversa que tem afetado a região e o país nas últimas semanas.

Regional 9 Fevereiro, 2026

Concessão das três marinas de Viana do Castelo entra na fase final

O processo de concessão a privados das três marinas de Viana do Castelo encontra-se na fase final, tendo já sido avaliadas três propostas consideradas de qualidade, revelou o presidente da Câmara Municipal, Luís Nobre.

Regional 9 Fevereiro, 2026

Projeto europeu investe 524 mil euros na recuperação ecológica do rio Vez

O projeto europeu LIFE Revive vai investir 524 mil euros na recuperação ecológica do rio Vez, em Arcos de Valdevez, entre 2026 e 2030, anunciou o município.