O Norte vai promover a memória regional dos 50 anos do 25 de Abril em tertúlias de café, em investigação histórica publicada em jornal e em murais artísticos, revelou, esta quinta-feira, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

Numa conferência de imprensa realizada na sede da CCDR-Norte, o vice-presidente com o pelouro da Cultura, Jorge Sobrado, destacou o mote das comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril, “Abril liga o Norte”, já que a região “é uma ideia de Abril, a coesão territorial é uma ideia de Abril” e “a própria ideia de regionalização é uma ideia de Abril”.
As comemorações, que decorrerão entre abril desde ano e de 2025, estão assentes em três eixos: “pensamento, memória e criatividade”, com o “objetivo profundamente nortenho de promover uma memória de Abril a Norte”.
“Todos nós sabemos que a memória de Abril está muito vincada entre o Terreiro do Paço e o Quartel do Carmo”, em Lisboa, pretendendo a CCDR abrir “o imenso baú de histórias que precedem muito Abril” a Norte.
Assim, na programação da CCDR-Norte serão promovidas tertúlias em cafés para “recuperar o forte imaginário dos cafés, dos botequins da região Norte, em oito cidades”, cada uma com um tema: Porto (Cultura), Vila Real (Europa), Braga (Poder Local), Amarante (Regiões), Bragança (Liberdade), Viana do Castelo (Ambiente), Chaves (Território) e Guimarães (Ciência).
“Cafés históricos, alguns deles mais que centenários, que foram lugares, alfobres de movimentos intelectuais, de pensamento, de movimentos conspirativos, de trocas de documentos, revistas, cadernos, folhetos” de uma forma “mais secreta ou menos secreta”.
Os cafés “marcam toda a paisagem do Norte e fazem do Norte uma região de pensamento e também uma região europeia”, algo assinalado pelo intelectual francês George Steiner em “A Ideia de Europa”, obra recordada por Jorge Sobrado: “Enquanto existirem cafetarias, a ideia de Europa terá conteúdo”.
“Também o Norte é um território de cafés, de pensamento, de ideários, de conspiração e de reivindicações”, vincou.
As comemorações passam também para a imprensa, numa parceria com o Jornal de Notícias, em que serão publicadas na revista JN História, ao longo deste ano, investigações explorando a memória da revolução, a cargo dos historiadores Suzana Faro e Joel Cleto, bem como de Pedro Olavo Simões, responsável da publicação.
“Procuramos, nesta ação, produzir conteúdos de história e de memória. Ir buscar protagonistas, heróis, acontecimentos, que estiveram ou na origem ou no decurso da revolução, e fixar a sua memória”, explicou. O projeto também envolverá o formato vídeo.
Quanto às pinturas murais, o denominado projeto Mural X8 levará “o imaginário da arte urbana, da poética de revolução” a oito paredes dos oito concelhos menos povoados de cada entidade intermunicipal da região: Boticas, Penedono, Vimioso, Melgaço, Arouca, Resende, Terras de Bouro e Mondim de Basto.
“Procuramos resgatar à memória das revoluções este signo que são as pinturas murais, primeira expressão das rebeliões e revoluções”, justificou Jorge Sobrado, e os murais estarão a cargo de oito artistas da região: Agostinho Santos, Fátima Bravo, Constança Amador, Francisca Pisca, Tomas Facio, Leonor Violeta, Frederico Draw e José Almeida Pereira.
As obras serão legendadas “por oito frases poéticas de escritores nortenhos, com execução a partir do 25 de Abril”, e envolverão as comunidades locais – nomeadamente jovens – em cada um dos municípios abrangidos, numa ótica de democratização e de chegar ao grande público.
A Cultura “é um bem essencial, não menos do que a água da torneira ou uma ferrovia”, assinalou Jorge Sobrado.
O vice-presidente da CCDR reconheceu que o programa “é um pouco atípico na história” da instituição, mas saudou que esta não seja “neutra”.
“Se Abril não tivesse existido, a CCDR-Norte seria um gabinete de informações de uma Direção-Geral de Lisboa”, cogitou, uma instituição “sem voz, sem rosto, sem pensamento e sem ação”.
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