Eu sei que ninguém me perguntou nada, mas mesmo assim, não sendo eu nem mais nem menos do que ninguém, mais do que ouvir, tenho sempre alguma coisa a dizer, então nas redes sociais, confesso, é um “instantinho”.
Em jeito de “résumé”, palavra chique para demonstrar que mesmo sendo oriundo de um lugar, vulgarmente conhecido como os “Cabeços”, uso práticas linguísticas reconhecidamente eruditas, a Romaria de Nossa Senhora d’Agonia é do melhor que há no mundo. Época festiva de excelência, única altura do ano em que os Vianenses, mais conhecidos pelo nome fofinho de “Bianetas”, não falam mal da sua linda cidade de Viana do Castelo. A dizer mal de alguém, que seja dos de fora que não se sabem comportar, homessa.
A festa é da nossa cidade. A festa é da “nossa Ribeira”. A festa é nossa, é minha e tua, a festa é muito, mas mesmo muito, de quem a vive e aprecia até ficar sem energia.
O caos provocado por mais de 1 milhão de pessoas é tremendo, dirão alguns. Estacionamento selvagem, barulho até altas horas da noite, qual NeoPop, transito insuportável, cheiros nauseabundos de algumas ruas, atropelos físicos e sobretudo linguísticos constantes. Poderia fazer um outro texto a descrever os aspetos negativos que advém da Romaria. Mas não sou e dificilmente serei “Bianeta”, poderei ser noutros assuntos, mas a Romaria de Nossa Senhora d’Agonia eleva a região, a cidade, os seus orgulhosos habitantes, ainda que por escasso tempo, ao topo do mundo das festas populares.
Este ano, dei por mim a refletir, (sim já tenho idade para isso) em toda esta euforia festiva e, principalmente, no orgulho tremendo nas minhas raízes.
As “nossas” Minhotas, são das mulheres mais belas do mundo, deitando por terra, toda a mitologia ancestral da “mulher de bigode, nem o diabo pode”. Portanto, para os comediantes de pé descalço, que não perdem a oportunidade de fazer a graçola, já deixou de fazer sentido há, pelo menos, 100 anos.
Os sempre nossos “Bombos São Sebastião Darque” estão a elevar muito o seu nível de atuação, simultaneamente, a elevar o nível de um espetáculo que apaixona e anima multidões, do miúdo ao graúdo, enchendo-nos a nós “bairristas cá do bairro” (desculpem o pleonasmo) de orgulho.
Ano após ano, o número de visitantes, de figurantes e, já agora, de figurinhas, aumenta a olhos vistos. Uns por religião e por devoção, muitos outros pela diversão e por distração, fazem desta, a maior Romaria Nacional. Que seja assim por muitos e bons anos.
Todas as entidades envolvidas na organização e segurança, sobretudo, esta última, que é muitas vezes esquecida, com a agravante de este ano a Volta a Portugal em Bicicleta terminar em Viana, em pleno dia 20 feriado municipal, estão todos de parabéns. Receber tamanha multidão numa cidade pequena de tamanho, não é tarefa para amadores.
Parabéns para a nossa amada “Ribeira” que se embeleza para agradar o festeiro apesar de, para mim, ser bela o ano inteiro.
Para o ano há mais, “é pro menino e prá menina”, já assim cantavam os míticos “Salada de Fruta”, não sem apreciarmos a bela Serenata no nosso Rio Lima, que este ano não foi à chuva. Mesmo sabendo como irá terminar, ficaremos eternamente surpreendidos com o sempre belíssimo slogan “VIANA É AMOR”.
Um bem-haja a todos até mesmo para os nossos fofinhos Bianetas.
Paulo Gomes
O grupo de voluntárias cerveirenses “De Mãos Dadas” está a participar no Mercado da Páscoa de Vila Nova de Cerveira, com um espaço próprio dedicado à venda de produtos artesanais e caseiros, como bolos e artigos para o lar, confecionados pelas próprias voluntárias.
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